“Profunda gravidade”, diz professor da FGV sobre caso Lulinha

No programa Última Análise desta segunda-feira (04), os comentaristas analisaram as investigações, de tráfico de influência e de suspeita de corrupção, envolvendo o filho do presidente Lula (PT), Fábio Luís Lula da Silva, também conhecido como “Lulinha”. Este parece contar com uma rede de proteção, envolvendo até a Polícia Federal (PF), que pode ter se mobilizado para tirar a relatoria do caso das mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A PF teria esperado o plantão de Alexandre de Moraes, na presidência do STF, para pedir um novos sorteio do caso, ignorando a prevenção de Mendonça, que já relatava casos relacionados. “É uma prática vergonhosa e nociva da PF que, aliás, partiu do próprio sistema de sorteio do STF. Como, quase sempre, Moraes era sorteado, tentaram novamente”, explica o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa.
Para o jurista Enio Viterbo o caso revela uma “movimentação incomum” da PF. “Vale lembrar que o próprio Mendonça já tinha ameaçado, no passado, abrir um inquérito por obstrução de justiça, para tirar policiais federais”, ele recorda.
O caso Lula e ex-assessor
Em outra teia dos escândalos envolvendo o governo federal, um ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, teria recebido pagamentos de milhares de reais vindos da empresária e lobista Roberta Lutsinger, amiga íntima do próprio Lulinha.
“Caso isso seja comprovado, demonstrando a relação direta com a Presidência da República, se torna um fato de profunda gravidade. Não seria mais de desvio de recursos, mas de valores entrando diretamente a alguém ligado ao presidente”, diz o professor da FGV Daniel Vargas.
Velhas práticas petistas
A lógica por detrás das operações traz à memória antigas práticas dos governo petistas. O escândalo do INSS se assemelha, sob várias formas, com os esquemas do “Mensalão” e o “Petrolão”, que assustaram o Brasil pela complexidade e quantidade vultosa de desvios.
“As relações são promíscuas e novamente elas batem à porta de Lula, como bateu na época do ‘mensalão’ e no ‘petrolão’. Ou seja, só falta aparecer um sítio de Atibaia ou um triplex do Guarujá. Este filme nós já vimos”, ironiza Soares da Costa.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.
