Júlio Casares: O Diabo veste Prada e fuma charuto caro
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- Júlio Casares, presidente do São Paulo, utilizou quase R$ 1 mi no cartão corporativo do clube de janeiro 2021 a dezembro 2025.
- Até o momento, devolveu R$ 560.401,74, parte dos valores gastos.
- O saldo de gastos ainda não reembolsado está sob análise da diretoria do São Paulo.
- A situação foi revelada em reportagem de Bruno Giufrida, para o Globo Esporte.
Júlio Casares é um cara sedutor. Usa bem as palavras, conversa olho no olho, não treme a voz. Timidez, passa longe. É famoso, entre os jornalistas, uma frase dele, quando a pergunta incomodava: “Olha, fulano, você sabe que eu vim da arquibancada e….” E nada. Enrolava, enrolava e não respondia nada. Gostava também de dizer que era um garoto pobre, que se apaixonou pelo São Paulo em 1967, que tudo era difícil, ia de ônibus, não havia metrô.
Uma reportagem do Bruno Giufrida, do Globo Esporte, mostrou que ele se adaptou muito bem a novos costumes.
Durante janeiro de 2021, quando assumiu o São Paulo, até o final de 2025, ele gastou quase R$ 1 milhão com o cartão corporativo do São Paulo. Gastos pessoais, nada a ver com os interesses do clube. Ele já devolveu R$ 560.401,74, o que, para mim, soa como confissão. O restante dos gastos está sendo analisado pelo clube.
O que me chamou mais atenção foi o fato de ele ter utilizado o cartão 71 vezes no Esch Café, no total de R$ 77.140,97. Mais de mil reais por vez. E o que se consome no Esch Café? Charutos. É muito triste ver uma pessoa que sempre jurou ter vindo debaixo, se rendendo aos prazeres mundanos. Nada mais brega do que ver o presidente do clube ostentando com charutos. Charuto é o símbolo de poder, de luxo. Imediatamente me lembrei de filmes de mafiosos, o que não tem nada a ver com Casares, a não ser a estética. Me lembrei também da comemoração do título da Copa do Brasil, em 2023. Ele distribuindo charuto aos jogadores e fumando um com Arboleda.
Tem muito mais. Como Miranda Priestly, personagem da grande Meryl Streep, Júlio Casares também é um aficionado da marca Prada. Sim, ele que é visto como o próprio demônio por muitos são-paulinos, também veste Prada. Em Las Vegas, em 2024, ele gastou R$ 6.276,52 na loja. No ano seguinte, o São Paulo fazia pré-temporada nos EUA e ele voltou à Prada. Pagou – ou melhor, o São Paulo pagou – R$ 26.241,22. Em uma viagem a Londres, ele gastou R$ 14.147,46 na Selfridges, loja de departamentos, e R$ 11.603,,92 em um restaurante de frutos do mar, o Bentleys Oyster Bar. Conhece a churrascaria SW Steakhouse, nos EUA? Ele gastou R$ 10124,41 em uma única passgem por lá.
Vaidoso, Casares continuou gastando. Pagou até consulta com endocrinologista, pagou jantares em Londres. E no sofisticado Gero, em São Paulo. Será que não sentia um mínimo de arrependimento em ver o clube dilapidado assim? Acho que não, colocava tudo no Instagram. O que adianta ostentar, se ninguém fica sabendo?
Ele corre o risco de ser expulso do clube, como sua ex-mulher, Mara Casares. Aliás, outra Mara, a Mara Carvalho, sua atual namorada, era sócia do Café Empório Ibérico. Em 2024, Casares passou 12 vezes pelo local. E passou o cartão corporativo 12 vezes, num total de R$ 11.938, 71. Caramba, a namorada não dava desconto?
Casares pode ter vindo da arquibancada, mas a ela não pode voltar. Será reconhecido e maltratado pelos outros torcedores. Aqueles que usam cartão apenas para pagar a passagem de ônibus e metrô. Gente que não pode passar nem na calçada do Gero. Talvez Casares, agora sem o cartão corporativo, também não possa.
