Veja diferenças salariais entre as polícias nos estados – 04/08/2026 – Cotidiano

Veja diferenças salariais entre as polícias nos estados – 04/08/2026 – Cotidiano


Um soldado da Polícia Militar do Ceará recebe em média R$ 11,6 mil por mês. No Rio Grande do Norte, logo depois da divisa, quem ocupa o mesmo cargo na corporação potiguar leva menos da metade: R$ 4.276.

Os estados têm respectivamente o maior e o menor salário para essa patente em todo o país, segundo a 2ª edição do “Raio-X das forças de segurança pública do Brasil”, divulgada nesta terça-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento reuniu dados sobre a folha de pagamento de março de 2025 de todas as 27 unidades federativas. Os números envolvem a remuneração bruta dos servidores naquele mês e não são necessariamente o salário-base, já que servidores podem ter recebido adicionais sobre a folha.

Sete anos após a lei que criou o Sistema Único de Segurança Pública, os dados coletados pela instituição revelam que o Brasil continua a não ter critério para pagar profissionais de segurança pública, medida prevista no texto aprovado em 2018.

A distância aparece em todas as patentes.

Entre os sargentos, por exemplo, as maiores remunerações estão no Distrito Federal (R$ 14,6 mil) e em Goiás (R$ 14,4 mil). As mais baixas, no Piauí (R$ 5.624,68) e em Sergipe (R$ 8.016,91).

No caso dos oficiais, Mato Grossso lidera: paga uma média de R$ 31,1 mil ao oficialto no geral. Depois vêm Tocantins (R$ 27,4 mil) e Santa Catarina (R$ 27 mil).

No topo da carreira, um coronel do Paraná recebe em média R$ 42.363 —o maior salário identificado em toda a estrutura das PMs.

O Piauí concentra nove postos entre os três menores salários de suas respectivas posições. Goiás e Mato Grosso fazem o inverso: aparecem seis vezes cada entre os três maiores.

Nas polícias Civis o cenário é o mesmo.

Um delegado no Ceará ganha cerca de R$ 41 mil e em Minas Gerais, R$ 23,1 mil. Um escrivão na Paraíba recebe R$ 8.600; a média nacional é de R$ 12,9 mil.

“As diferenças de vencimentos entre funções equivalentes e entre estados indicam que não há critério unificado para remuneração, tornando impossível comparar e avaliar equidade interna ou interestadual”, diz o relatório.

Há problemas nessa discrepância. Segundo o Fórum, “remunerações muito baixas, especialmente na base da carreira, indicam um cenário preocupante, com impactos diretos sobre a atratividade da profissão, a permanência dos profissionais e as condições de trabalho”.

Já os mais elevados, complementa, “embora possam refletir valorização e reconhecimento institucional, também podem indicar distorções na estrutura remuneratória”.

O estudo divulgado nesta terça-feira traz também um panorama sobre as guardas municipais, que ultrapassaram as polícias Civis e são hoje a segunda maior força de segurança no país, atrás apenas das polícias Militares.

Segundo a pesquisa, o país tem hoje 107,4 mil guardas municipais divididos em pelo menos 1.384 municípios do país, número 12,9% maior do que os 95,1 mil registrados em 2023, último levantamento.

Já a Polícia Civil, antes a segunda maior força com 95,9 mil agentes, tornou-se agora a terceira, com 96,9 mil. A PM ainda lidera: somadas as forças de todos os estados, são 413,3 mil policiais militares.



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