Vitória política ou vexame? A avaliação nos bastidores sobre encontro de Flávio com Trump

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O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, provocou repercussão política imediata no Brasil e abriu uma nova frente de debate sobre os rumos da pré-campanha presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o repórter Gabriel Sabóia e o editor José Benedito da Silva avaliaram que o senador abandonou temporariamente a estratégia de moderação adotada nos últimos meses para reforçar a conexão com o eleitorado bolsonarista mais fiel (este texto é um resumo do vídeo acima).
Durante coletiva após o encontro com Trump, Flávio afirmou ter pedido ao governo americano que classifique o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo ele, enquanto Lula “vai de joelhos” aos Estados Unidos, ele teria feito o movimento contrário ao defender o endurecimento contra facções criminosas.
Por que a fala de Flávio representa uma mudança de estratégia?
Na avaliação de Sabóia, o episódio representa uma inflexão importante na imagem política que vinha sendo construída pela equipe do senador desde o lançamento de sua pré-candidatura. “Desde que anunciou sua pré-candidatura, em novembro, Flávio vinha tentando criar uma imagem muito moldada pela sua equipe de marketing”, afirmou o repórter.
Segundo ele, a ideia era construir um perfil mais moderado do que o do pai. “A ideia era mostrar um ‘soft Bolsonaro’, um Bolsonaro mais tranquilo, mais suave”, disse Sabóia.
O repórter lembrou que, nos últimos meses, Flávio havia feito acenos considerados incomuns ao bolsonarismo tradicional, incluindo elogios às universidades públicas, defesa dos direitos das mulheres e discursos menos agressivos. Ao aparecer ao lado de Trump e defender a classificação de facções criminosas como grupos terroristas, porém, o senador retomou um discurso mais alinhado ao chamado “bolsonarismo raiz”. “Ele traz para si uma fala radical”, afirmou Sabóia.
O encontro fortalece ou enfraquece Flávio?
Segundo Sabóia, a estratégia pode ajudar Flávio a segurar parte do eleitorado conservador mais fiel, especialmente diante do desgaste provocado pelas denúncias envolvendo Vorcaro e o Master. “O objetivo é evitar que esse eleitor migre para nomes como Zema ou Caiado”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o repórter avalia que o movimento dificulta a aproximação do senador com o eleitorado moderado, considerado decisivo em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele deixa de acenar para o eleitor de centro, que vai ser decisivo”, disse Sabóia.
O repórter destacou ainda que a proposta de classificar facções como organizações terroristas provoca divergências inclusive dentro da própria direita. Ele citou debates ocorridos recentemente na CPI do Crime Organizado, no Senado, onde parlamentares argumentaram que esse enquadramento poderia abrir brechas jurídicas para interferência internacional no Brasil sob justificativa de combate ao terrorismo.
A viagem foi uma vitória política?
Para José Benedito, apesar das críticas, a simples realização do encontro com Trump já evitou um desgaste maior para Flávio. “Se esse encontro não tivesse se concretizado, seria catastrófico”, afirmou o editor. Segundo ele, o entorno do senador tenta explorar politicamente a imagem ao lado do presidente americano como demonstração de influência internacional e proximidade com a Casa Branca. “A oposição tenta vender isso como uma grande conquista”, disse o editor.
José Benedito ponderou, porém, que a fotografia divulgada pela campanha também passou a ser explorada por adversários políticos nas redes sociais. “Não há aperto de mão, o Trump não se levanta para receber o Flávio”, observou. Governistas passaram a utilizar a imagem para reforçar um discurso de submissão política aos Estados Unidos.
Como o PT pretende explorar o episódio?
José Benedito afirmou que a discussão sobre soberania nacional deve voltar ao centro da disputa política após a viagem de Flávio aos Estados Unidos. “O PT bate muito nessa tecla da soberania”, disse o editor.
Segundo ele, aliados do governo já passaram a usar o episódio para afirmar que o senador adotou uma postura subalterna diante de Trump ao defender o enquadramento das facções criminosas como terroristas. “Os governistas já falam em postura de submissão”, afirmou.
O editor lembrou ainda que o discurso nacionalista já havia ajudado Lula anteriormente, durante os embates envolvendo tarifas comerciais americanas.
Qual é o papel de Eduardo Bolsonaro nessa crise?
Sabóia afirmou que a viagem também serviu para reforçar a posição política de Eduardo Bolsonaro dentro do bolsonarismo. Segundo o repórter, o deputado licenciado tenta se apresentar como principal articulador internacional da família. “Existe uma autovalidação do Eduardo ao posar ao lado do irmão e de Trump”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Sabóia relatou que parte do PL vê com preocupação a influência do deputado sobre a campanha presidencial de Flávio. Aliados avaliam que Eduardo frequentemente produz tensões internas e amplia conflitos dentro do próprio campo bolsonarista.
A campanha de Flávio segue em crise?
Na avaliação dos participantes do programa, a viagem aos EUA não encerra os problemas internos da pré-campanha de Flávio. Sabóia lembrou que a equipe do senador passou recentemente por trocas de marqueteiros e mudanças no núcleo político mais próximo. “A campanha tenta se reerguer, tenta mostrar influência internacional, mas ainda vive uma grande bagunça”, afirmou.
Segundo ele, as resistências internas dentro do PL continuam fortes, enquanto o senador tenta sobreviver ao desgaste provocado pelas denúncias do caso Master.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
