Vereadora bolsonarista acusa marido de perseguição política

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  • A vereadora Malu Fernandes (PL), de Mogi das Cruzes, acusa o ex‑companheiro Mario Luiz Moreno Júnior de perseguição, ameaças, violência psicológica e política de gênero.
  • Em 21 de julho, a Justiça de São Paulo determinou que as novas alegações da parlamentar sejam incluídas no inquérito policial já aberto.
  • Fernandes afirma que Moreno teria usado um boletim de ocorrência para tentar impedir o anúncio de sua pré‑candidatura a deputada estadual.
  • A 3ª Vara Criminal concedeu medidas protetivas à vereadora e abriu investigação duas semanas antes de Moreno atualizar o boletim, atribuindo a ela danos no apartamento que viveram.

A vereadora bolsonarista Malu Fernandes (PL), de Mogi das Cruzes, acusa o ex-companheiro Mario Luiz Moreno Júnior de perseguição, ameaças, violência psicológica e violência política de gênero. A Justiça de São Paulo determinou, na segunda-feira (21), que os novos fatos relatados pela parlamentar sejam incorporados ao inquérito policial aberto para investigar as denúncias.

Segundo apuração publicada pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, Malu afirma que o empresário, conhecido como Júnior Moreno, usou um boletim de ocorrência para persegui-la e tentar prejudicar o anúncio de sua pré-candidatura a deputada estadual. A defesa dele nega as acusações de violência.

Moreno atualizou, em maio, um boletim de ocorrência registrado em outubro de 2025, inicialmente sem autoria definida, para atribuir à vereadora a responsabilidade por supostos danos no apartamento onde os dois haviam morado.

Ele relatou ter encontrado o imóvel revirado, com objetos espalhados pelo chão e uma jaqueta da marca Armani rasgada. Na versão atualizada do registro, o empresário afirmou ter obtido imagens das câmeras de segurança e identificado Malu como a mulher que entrou no prédio.

Vereadora bolsonarista denuncia ameaças e controle político

A alteração do boletim ocorreu duas semanas depois de a 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes conceder medidas protetivas à parlamentar e determinar a abertura de inquérito para apurar as acusações de perseguição, ameaças, violência psicológica e violência política de gênero.

Malu afirma que o ex-companheiro tentava controlar sua atuação política durante o relacionamento e passou a ameaçá-la após o término. Segundo a vereadora, Moreno abordou um assessor de seu gabinete e disse que acabaria com a vida e o mandato dela.

“Ele chegou a abordar um assessor meu direto falando que ia acabar com a minha vida e também com o meu mandato”, afirmou Malu Fernandes.

As medidas protetivas também alcançam o empresário Fernando Aparecido Hilário, sócio de Moreno e acusado pela parlamentar de coação. Os dois devem manter distância mínima de 200 metros da vereadora e estão proibidos de entrar em contato com ela.

A juíza Larissa Boni Valieres, no entanto, rejeitou o pedido para impedir que os acusados fizessem menções públicas a Malu. A magistrada considerou que a medida poderia representar censura prévia, uma vez que a vereadora exerce função pública.

Boletim foi divulgado no anúncio da pré-candidatura

Malu Fernandes afirma que, após a atualização do boletim de ocorrência, Moreno promoveu uma “divulgação coordenada” das acusações em redes sociais e veículos de comunicação. O conteúdo veio a público em 16 de julho, no mesmo dia em que ela anunciou a pré-candidatura à Assembleia Legislativa de São Paulo.

No dia seguinte, a parlamentar pediu a ampliação das medidas protetivas, a retirada das publicações e o encaminhamento das novas informações à Polícia Civil e ao Ministério Público.

O juiz Heitor Moreira de Oliveira autorizou a incorporação dos fatos à investigação, mas negou, por enquanto, os demais pedidos. Segundo o magistrado, seria necessário reunir novas provas e ouvir a versão do acusado antes de analisar medidas adicionais.

A determinação não reconhece como verdadeiras as acusações feitas pela vereadora. A decisão permite que os novos relatos sejam apurados no inquérito policial em andamento.

Defesa nega violência política de gênero

A defesa de Júnior Moreno nega as acusações de violência e afirma que adotará medidas judiciais contra a divulgação de alegações que classifica como falsas, difamatórias ou sem respaldo em decisão judicial.

Os advogados sustentam que o envio dos fatos ao inquérito representa o procedimento normal diante de uma notícia de possível crime e não significa que a Justiça tenha reconhecido a veracidade da versão apresentada por Malu Fernandes.

A defesa também afirma que a divulgação do boletim no dia do anúncio da pré-candidatura foi uma coincidência. Segundo os advogados, Moreno precisou aguardar a disponibilização das imagens de segurança pelo condomínio.

Lei combate violência política contra mulheres

A Lei nº 14.192, de 2021, estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. A legislação protege o exercício de direitos políticos e de funções públicas contra ações destinadas a impedir, dificultar ou restringir a participação feminina.

A violência política de gênero também é alvo de iniciativas de monitoramento e proteção. A Fórum mostrou o lançamento de uma campanha nacional contra a violência política de gênero e raça, voltada a mulheres eleitas submetidas a ameaças, intimidações e tentativas de afastamento dos espaços de poder.

Maria Luiza Fernandes, conhecida como Malu Fernandes, exerce o segundo mandato na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. Filiada ao PL, ela foi reeleita com 5.089 votos.




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