Ministro da Cultura de Israel quer revogar cidadania dos cineastas de “Naza”

Ministro da Cultura de Israel quer revogar cidadania dos cineastas de “Naza”



Como ministro da Cultura, agirei imediatamente para revogar a cidadania israelita destes criadores vis por traição contra o país”, disse Miki Zohar numa mensagem na rede social X, referindo-se aos realizadores do filme, Yuval Abraham e Rachel Szor.


Zohar acusou Abraham e Szor de terem um “ódio ardente e autodestrutivo” e de estarem “dispostos a prejudicar a sua pátria para receberem aplausos dos antissemitas do mundo”, o que, segundo ele, “constitui traição contra o país”.


Para o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da extrema-direita, Abraham e Szor “são uma vergonha e uma desgraça para todo o povo de Israel”.


“Desapareçam. Tenho a certeza de que os vossos amigos, os nossos inimigos no [movimento radical palestiniano] Hamas em Gaza, vos receberão de braços abertos”, escreveu Ben Gvir também na X.


Filmado nos telhados de Telavive à noite, em grande segredo, ao longo de três anos, “Naza” (“danos colaterais” na gíria militar) apresenta testemunhos de 24 militares israelitas, incluindo oficiais dos serviços de informação e soldados, sobre a guerra na Faixa de Gaza e o que consideram ser o assassinato sistemático de civis palestinianos.


O filme de 80 minutos recebeu após a estreia no festival na quinta-feira uma ovação de pé recorde, que durou cerca de 25 minutos, segundo agências internacionais de notícias, e recebeu no sábado o Prémio Especial do Júri.


“É realmente muito importante para nós que os israelitas vejam este filme”, disse Abraham na altura.


Abraham e Szor também fizeram parte da equipa por detrás do filme “No Other Land”, juntamente com os palestinianos Hamdan Ballal e Basel Adra, sobre o plano israelita de destruição e desalojamento dos habitantes palestinianos de uma aldeia na Cisjordânia e que ganhou o Óscar de Melhor Documentário em 2025.


Na sexta-feira, o exército israelita contrariou testemunhos no documentário rejeitando “categoricamente” que as decisões sobre bombardeamentos na Faixa de Gaza sejam sempre tomadas por inteligência artificial (IA).


As decisões relativas “à seleção e aprovação de ataques” são tomadas “exclusivamente por pessoal humano, de acordo com as diretrizes das Forças de Defesa de Israel, e não por inteligência artificial”, declarou em comunicado, tendo também questionado a veracidade dos testemunhos.


A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.


Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que causou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.


Desde o início do atual cessar-fogo, acordado em outubro do ano passado, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques das forças israelitas, que mantêm altas restrições à entrada de jornalistas e observadores independentes no território.



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