Centro-esquerda da Suécia vencer, projetam autoridades – 13/09/2026 – Mundo
O bloco de oposição de centro-esquerda da Suécia deve conquistar uma maioria de apenas uma cadeira na votação deste domingo (13) para o Parlamento do país, segundo projeção da autoridade eleitoral.
O bloco, encabeçado pela líder do Partido Social-Democrata, Magdalena Andersson, deve conquistar 175 cadeiras no Parlamento, que tem 349 assentos, segundo projeção do órgão com base nos votos de 4.853 dos 6.312 distritos eleitorais da Suécia.
O bloco governista de direita, liderado pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson, deve conquistar 174 cadeiras.
Se a vantagem da centro-esquerda for confirmada pelos resultados oficiais, isso interromperá a recente guinada da Suécia à direita e o afastamento de suas tradições liberais.
As eleições parlamentares tiveram caráter quase plebiscitário, porque determinarão se o partido Democratas Suecos, originado em movimentos neonazistas, participará no governo.
Antes da eleição, o premiê Kristersson havia aceitado admitir integrantes da legenda extremista em seu gabinete caso fosse reconduzido ao cargo.
A composição, segundo o premiê, é necessária para manter a estabilidade de sua administração. Os Democratas Suecos têm apoiado o governo nas votações do Riksdag, o Parlamento do país, mas há quatro anos a sigla ostenta a maior bancada do bloco conservador —liderado pelos Moderados de Kristersson há décadas.
A guinada à direita do premiê no atual mandato foi notável. A imprensa sueca lembra que, há duas eleições, Kristersson havia prometido a um sobrevivente do Holocausto que nunca trabalharia com os Democratas Suecos. Agora, não só está trabalhando, como sua gestão absorveu boa parte do ideário anti-imigração do partido nacionalista.
“Acho que será uma longa noite”, disse Maria Malmer Stenergard, ministra das Relações Exteriores e integrante do Partido Moderado de Kristersson. “Talvez só tenhamos os resultados na quarta-feira, quando chegarem os votos depositados no exterior.”
Kristersson, que ficou atrás nas pesquisas de opinião durante seus quatro anos no cargo, vinha reduzindo a diferença nas últimas semanas de campanha, enquanto Andersson e os social-democratas perdiam terreno.
Críticos afirmam que as políticas de imigração do governo Kristersson, cujos incentivos e penalidades pressionam os migrantes a se adequarem mais às normas culturais suecas ou a deixarem o país, estão minando as liberdades civis.
Um bom desempenho eleitoral dos Democratas Suecos seria bem recebido pelos partidos de extrema direita em ascensão na Europa, fortalecidos pela vitória do partido extremista Alternativa para a Alemanha (AfD) em eleição na Saxônia-Anhalt, na semana passada, a maior vitória da extrema direita desde o nazismo.
Os agrupamentos extremistas desse campo ideológico esperam avançar nas próximas eleições em toda a Europa, a exemplo da candidatura da Reunião Nacional de Marine Le Pen à Presidência da França, no ano que vem.
Ao votar no sábado em Rinkeby, nos arredores de Estocolmo, Jimmie Akesson, líder de longa data dos Democratas Suecos, disse que o subúrbio, onde vive uma das maiores comunidades sueco-somalis do país, “não parece a Suécia”. O extremista fez campanha com o slogan de óbvia inspiração trumpista “Faça a Suécia Suécia novamente”.
Por muito tempo, a nação escandinava foi um dos países europeus mais receptivos aos imigrantes, até Kristersson chegar ao poder, quatro anos atrás. Seu governo aboliu a residência permanente para refugiados, endureceu as regras de assistência social e intensificou as expulsões daqueles que não têm direito de permanecer no país.
Os Democratas Suecos reconhecem que seu partido foi fundado, em parte, por neonazistas e supremacistas brancos na década de 1980, mas alegam ter retirado esses extremistas de suas fileiras e pedido desculpas por seu passado, a despeito dos slogans e do tom radicalizado da campanha.
Apoiadores comemoraram na festa eleitoral dos Democratas Suecos depois que uma projeção atualizada da emissora sueca SVT chgou a mostrar uma diferença muito menor do que a apontada por uma pesquisa de boca de urna inicial, que colocava a oposição de centro-esquerda um pouco mais à frente.
“Vocês não imaginam como estou nervoso agora. Parece que o trabalho da minha vida está por um fio”, disse Ludvig Aspling, parlamentar e porta-voz dos Democratas Suecos para assuntos de imigração. “Vai ser extremamente apertado. Ainda temos uma chance”, afirmou.
