“Temos de estar 98 minutos ligados, não ter facilitismos” – Observador

“Temos de estar 98 minutos ligados, não ter facilitismos” – Observador



Bastaram uns segundos depois do apito inicial para perceber que o Sporting teria de suar muito para sorrir em Famalicão. A equipa de Carlos Carvalhal defendeu bem, organizou-se melhor, procurou ser feliz e não baixou os braços mesmo depois de estar a perder, de estar em inferioridade numérica e até de só ter os descontos pela frente. Os leões voltaram a escorregar e, mais do que isso, mostraram-se incapazes de segurar três pontos que a dada altura pareciam oferecidos.

O azar de Gonçalo já é só o espelho de uma equipa que não procura a sorte (a crónica do Famalicão-Sporting)

O Sporting não foi além de um empate em Famalicão e afastou-se dos rivais, ficando agora a quatro pontos da liderança do FC Porto e a dois do segundo lugar do Benfica a uma semana do Clássico entre dragões e encarnados nos dragões. Os leões falharam a sexta vitória consecutiva em todas as competições, perdendo pontos no Campeonato pela segunda vez esta temporada, e Gonçalo Inácio voltou a fazer um autogolo depois de já ter tido o mesmo azar a meio da semana contra o Galatasaray na Liga dos Campeões.

Na zona de entrevistas rápidas, Rui Borges estava naturalmente desapontado. “Acaba por ser o único lance do Famalicão, além de uma boa defesa do Rui Silva na primeira parte, num cruzamento fechado. Faltou-nos alguma agressividade e intensidade nesse lance. Fomos demasiado permissivos e a felicidade que o Famalicão não tem tido teve-a hoje. Tentámos controlar sempre, entrámos bem nos primeiros 25 minutos e depois começámos a quebrar e a falhar alguns passes sem necessidade. Entrámos com a calma que queríamos na segunda parte, a trabalhar sobre o bloco do Famalicão que era curto e baixo, e depois fomos penalizados num lance”, começou por dizer, detalhando depois esse bloco baixo do adversário.

“Honestamente, não surpreendeu. Não é uma equipa muito pressionante na primeira fase de construção do adversário. Sabíamos que iam estar à espera de transições e foi o que aconteceu. Estiveram à procura de contra-ataques e estivemos sempre ligados até aos 89 minutos. Foi o único momento em que não tivemos essa intensidade e energia, com alguma sorte porque o Inácio tenta fazer o corte e desvia para a baliza”, acrescentou.

“A equipa teve uma atitude e um compromisso muito bons, mas mudou tudo num minuto. Temos de estar 98 minutos ligados à corrente e com a energia em alta e não entrar em facilitismos. Na única vez em que fomos mais permissivos fomos penalizados. Não pode acontecer numa equipa como o Sporting”, explicou o treinador leonino.

Mais à frente, Rui Borges recusou dar explicações sobre os golos que o Sporting tem sofrido nos últimos minutos dos jogos. “Não tenho que me explicar, honestamente. A equipa teve uma atitude competitiva muito boa, ao intervalo nem falei muito do aspeto defensivo porque estávamos a conseguir anular o Famalicão em ataques rápidos. Por isso, sabíamos que ia acontecer isso e o Famalicão acaba por ser feliz. Clássico? Estamos preocupados com o Arouca e queremos vencer antes da pausa para as seleções”, terminou.

Já Maxi Araújo, que representou a equipa na flash interview, também não escondeu a desilusão. “Vínhamos numa série muito boa e era importante aguentar até ao final. Não tivemos fome a defender e o empate é justo, porque o Famalicão tem uma grande equipa. Estamos tristes, não conseguimos defender o triunfo. Estamos a sofrer muitos golos e temos de trabalhar mais nisso… Como disse, o nosso adversário esteve muito bem. Mas o empate não significa muito. Importa é como termina na última jornada”, atirou o ala uruguaio.





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