Governo Lula monitora a visita de Milei e prepara reação a ataques em convenção do PL – CartaCapital
A visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao Brasil neste fim de semana será acompanhada de perto pelo Palácio do Planalto. Embora o governo trate como natural a participação do ultraliberal na convenção nacional do PL que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, auxiliares do presidente Lula (PT) afirmam haver uma linha que, se ultrapassada, provocará uma resposta oficial: ataques às urnas eletrônicas, ao processo eleitoral ou às instituições brasileiras.
Milei desembarca no Brasil nesta sexta-feira 24 e cumprirá agenda em São Paulo no sábado. Antes de participar da convenção do PL, terá um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Não há previsão de reunião com Lula, e o governo brasileiro foi comunicado da viagem apenas por questões protocolares e de segurança.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que o discurso do argentino será monitorado. A avaliação é que manifestações em defesa de Flávio Bolsonaro fazem parte da disputa política, mas questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro ou às urnas eletrônicas ultrapassariam exigiriam reação do governo.
A preocupação ganhou força nas últimas semanas diante da leitura de que há uma articulação internacional de lideranças de direita para colocar em dúvida a credibilidade das eleições brasileiras. Auxiliares de Lula apontam que esse movimento ganhou visibilidade depois das declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com críticas ao cenário brasileiro, e foi reforçado por discursos de aliados do bolsonarismo, entre eles o próprio Flávio, que mentiu sobre a segurança das urnas eletrônicas durante um evento com 42 embaixadores. O governo considera que essas manifestações seguem uma mesma estratégia de desgaste da confiança no processo eleitoral.
A referência mais recente sobre essa postura foi a reação de Lula às declarações de Rubio. Ao comentar o apoio do secretário de Estado à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, o presidente afirmou, na segunda-feira 20, que o norte-americano poderia “vir montar um comitê” no Brasil, acrescentando que derrotaria os adversários nas urnas para defender a democracia brasileira. A declaração passou a ser vista por auxiliares como um indicativo da linha que será adotada caso Milei faça declarações semelhantes durante sua passagem pelo País.
A visita também reforça a aproximação entre Milei e o campo bolsonarista. Esta será sua terceira viagem ao Brasil desde que assumiu a Presidência da Argentina, em dezembro de 2023. A primeira ocorreu em julho de 2024, quando participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Balneário Camboriú (SC), ao lado de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio, sem manter agenda com o governo federal.
Outro gesto que evidenciou a proximidade entre Milei e o bolsonarismo foi exatamente a tentativa de visitar Bolsonaro durante esta viagem ao Brasil. A defesa do ex-presidente pediu autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, mas a solicitação foi rejeitada. Sem a visita, a agenda do argentino se concentrará na reunião com Tarcísio e na convenção do PL.

