CEO do Itaú faz alerta sobre crédito mesmo após lucro bilionário

O CEO do Itaú (ITUB4), Milton Maluhy Filho, afirmou que o banco manterá uma postura cautelosa na concessão de crédito diante do cenário macroeconômico marcado por juros elevados e alto endividamento das famílias. Em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta quarta-feira, 5, o executivo reforçou que, mesmo nesse ambiente desafiador, não espera um aumento da inadimplência na carteira de crédito da instituição devido aos ativos resilientes presentes na concessão de crédito.
O Itaú voltou a apresentar um trimestre robusto, com baixa inadimplência, elevada rentabilidade e crescimento das provisões em ritmo inferior ao avanço da carteira de crédito, refletindo a estratégia mais conservadora adotada nos últimos anos.
Para os próximos trimestres, Maluhy afirmou que continua enxergando um ambiente desafiador para o crédito, o que exigirá disciplina na concessão de novos financiamentos. Segundo o executivo, a guerra no Oriente Médio voltou a pressionar a inflação global e pode levar o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, a elevar os juros em mais duas ocasiões.
Na avaliação do CEO, esse cenário encarece o custo do dinheiro em todo o mundo e tende a manter as taxas de juros elevadas, especialmente em economias emergentes, como o Brasil. Ao mesmo tempo, ele observa que a atividade econômica brasileira começa a perder força e que a inflação segue em trajetória de desaceleração, embora ainda permaneça acima do teto da meta.
“O cenário de desaceleração da atividade econômica permite mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic. No entanto, a inflação acima do teto da meta e o ambiente externo continuam exigindo juros elevados, o que não é positivo para os nossos negócios”, afirmou.
Segundo Maluhy, juros elevados reduzem a disposição das empresas para investir e aumentam as incertezas na concessão de crédito. Por isso, o Itaú continuará priorizando segmentos considerados mais seguros, como o crédito consignado privado (CLT), o financiamento imobiliário e as operações voltadas para clientes de média e alta renda.
Como foi o balanço do Itáu?
O Itaú reportou lucro líquido recorrente de 12,4 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou em linha com a expectativa do consenso reunido pelo BTG Pactual, que projetava lucro de 12,5 bilhões de reais no período.
A carteira de crédito do banco atingiu 1,5 trilhão de reais ao fim de junho, crescimento de 9,6% em 12 meses. Em meio à estratégia de priorizar linhas de menor risco, o Itaú registrou margem financeira gerencial de 33,4 bilhões de reais, avanço de 5% na comparação anual.
A inadimplência do Itaú permaneceu em 1,9% da carteira de crédito, mesmo patamar registrado no segundo trimestre de 2025, reforçando a avaliação da administração de que a qualidade dos ativos continua sob controle.
As Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) somaram 10,1 bilhões de reais, alta de 7,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Como o crescimento das provisões ficou abaixo da expansão de 9,6% da carteira de crédito, o resultado reforça a percepção de que o banco continua administrando de forma conservadora o risco de crédito.
Com esse desempenho, o Itaú voltou a elevar sua rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) passou de 23,3% no segundo trimestre de 2025 para 24,3% no mesmo período de 2026, um dos níveis mais elevados entre os grandes bancos brasileiros.
