Brasil precisa “parar de se fazer de vítima”

A ex-ministra da Segurança da gestão do presidente argentino, Javier Milei, e atual senadora Patricia Bullrich disse nesta quarta-feira (5) que o Brasil “precisa parar de se fazer de vítima”, um dia após o governo Luiz Inácio Lula da Silva ter rebaixado as relações entre os dois países.
Em post no X, Bullrich relembrou a visita que Lula fez à ex-presidente peronista Cristina Kirchner no ano passado, quando esta já cumpria prisão domiciliar por uma condenação por corrupção.
“Em 3 de julho de 2025, o presidente Lula visitou a presidiária Kirchner na sua casa-prisão para lhe oferecer apoio político. A Argentina não reagiu com um gesto diplomático, pois os interesses dos Estados prevalecem sobre as atividades políticas de governos em exercício. Lamentavelmente, parece que o Brasil está escolhendo um caminho diferente”, disse a senadora.
Na terça-feira (4), o governo brasileiro determinou que seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará à Argentina e que as relações entre os dois países serão rebaixadas à representação por encarregado de negócios, após as seguidas declarações de Milei chamando Lula de “ladrão” nas últimas semanas.
A primeira foi durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, realizada em 25 de julho e na qual o aliado Flávio Bolsonaro foi confirmado como candidato à presidência.
Bullrich criticou a gestão petista também em entrevista ao canal LN+. “Acho que o Brasil precisa parar de se fazer de vítima e analisar o que foram as campanhas que Lula fez de caráter político [na Argentina]. Lula apoiou Sergio Massa”, afirmou, citando o candidato peronista à presidência em 2023, derrotado por Milei no segundo turno.
Naquela eleição, Bullrich foi candidata à Casa Rosada pelo partido Proposta Republicana, do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019). Depois de ser derrotada no primeiro turno, se aproximou de Milei, de quem foi ministra da Segurança até o final de 2025.
“Não gosto do fato do embaixador [brasileiro] ter sido retirado; não é um bom sinal”, disse a senadora na entrevista, criticando, porém, o que chamou de “interferência política” de Lula na Argentina e em outros países da América Latina.
