A vergonhosa “papaguada” de Lula que a PGR não vê

Na convenção do PSB que relançou Geraldo Alckmin como vice de Lula nesta semana, o presidente deu, como de praxe, vários escorregões na língua portuguesa. Um chamou atenção em especial: ele inventou a palavra “papaguada” ao comentar as críticas de Javier Milei a ele e a Alexandre de Moraes.
O mais grave, contudo, não foi o tropeço verbal, mas a confissão feita no mesmo evento, e com total naturalidade, de que usou a influência do cargo para beneficiar um amigo com problemas com o plano de saúde.
Começando pela “papaguada”, como Lula classificou as críticas de Milei, a quem chamou também de “aquela coisa”, alguns meios de comunicação ignoraram a gafe linguística e simplesmente mudaram para “patacoada”, sinônimo de conversa fiada, mentira, lorota. Ao ouvir “papaguada” e escrever “patacoada”, os escribas cometeram sua própria patacoada, colocando na boca do presidente o que ele não falou.
Depois da papaguada, uma carteirada para ajudar companheiro
A regra básica do jornalismo, e da língua portuguesa, para ocasiões assim, é clara: as aspas devem reproduzir exatamente o que foi dito. Deveriam ter escrito papaguada, entre aspas e com SIC, indicando que talvez o presidente estivesse se referindo ao vocábulo patacoada. Ninguém, na verdade, sabe.
Já o episódio mais sério passou quase despercebido. Um “companheiro” de Lula, de Caraguatatuba (SP), teve um problema de coração e estava internado, mas o tratamento demorava para começar, devido à burocracia do plano de saúde. “O Padilha (ministro da Saúde) conseguiu, por um pedido meu, levar o cara para outro hospital para operar”, disse candidamente Lula.
Não é preciso entender de tipificação penal para perceber o absurdo: Lula mandou o ministro da Saúde pressionar uma operadora de plano de saúde para agilizar o atendimento a um companheiro. E como fica quem não é amigo do presidente? Na prática, Lula confessou que agiu como “pistolão” dos amigos, usando o poder do cargo para intimidar um particular e forçá-lo a atender imediatamente sua demanda.
Lula e Padilha abusaram do poder do cargo público
A Constituição, no artigo 37, exige que a administração pública siga o princípio da impessoalidade: nada de exceções, privilégios ou favoritismos. Todos têm direito ao mesmo tratamento neutro do agente público.
O episódio pode se enquadrar também como advocacia administrativa, conforme o artigo 321 do Código Penal, quando um agente público usa o cargo para patrocinar interesse privado perante a administração.
Também se aproxima do artigo 316, o crime de concussão, exigir vantagem mediante abuso do cargo. E quanto maior a capacidade de pressão do cargo, maior a chance de caracterizar o ilícito. Alguma dúvida de que Lula e Padilha tinham essa capacidade de pressão sobre o empresário do plano de saúde? É o famoso “sabe com quem está falando”, posto em prática para benefício da companheirada. Num país mais sério, Lula e Padilha deveriam estar respondendo a uma investigação da Procuradoria-Geral da República.
