Venezuela: Itamaraty informa que dois brasileiros estão entre os mortos
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- O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmou, na noite de 25/04, o falecimento de um homem e uma mulher brasileiros na Venezuela.
- Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o país em menos de um minuto, na noite de 24/04.
- O governo venezuelano registra 188 mortes e 1.520 feridos pelos sismos.
- O site “Desaparecidos Terremoto Venezuela” já contabiliza 53.762 pessoas desaparecidas.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou, na noite desta quinta-feira (25), que duas brasileiras estão entre os mortos na Venezuela, que foi atingida por dois terremotos que devastaram o país.
“O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas.
Em atendimento ao direito à privacidade, o MRE não divulgará informações pessoais dos falecidos.”
A Venezuela foi atingida na noite de quarta-feira (24) por dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, com um intervalo de menos de um minuto entre os dois tremores. De acordo com dados do governo venezuelano, estão confirmadas 188 mortes e 1.520 feridos.
Site registra mais de 40 mil pessoas desaparecidas após terremotos na Venezuela
Por conta da estrutura precária para resgatar pessoas após os terremotos na Venezuela, foi criado um site para que os cidadãos venezuelanos registrem pessoas que desapareceram após os tremores.
O site chama-se “Desaparecidos Terremoto Venezuela” e, até a última atualização, tinha registrado 53.762 pessoas. Destas, 43.064 ainda estão desaparecidas e 10.698 foram localizadas.
Como se trata de uma plataforma alimentada pela população, os dados são tratados como extraoficiais. No entanto, os registros mostram que o número de mortos e feridos pode ser bem maior do que se tem notícia até este momento.
O site pode ser acessado aqui.
Venezuela declara estado de emergência, instala Estado-Maior e coordena ajuda internacional após terremotos de 7,2 e 7,5
Caracas — O governo venezuelano ativou nesta quarta-feira todo o seu aparato institucional de emergência após dois terremotos consecutivos — de magnitude 7,2 e 7,5, separados por apenas 39 segundos — atingirem o oeste do país, com epicentro no estado de Yaracuy.
A vice-presidente executiva e presidente em exercício, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência constitucional em pronunciamento nacional transmitido em cadeia de rádio e televisão a partir do Palácio de Miraflores, instalou um Estado-Maior de Emergência e nomeou uma autoridade única para coordenar a resposta. Quatorze países e organismos internacionais ofereceram assistência, e as primeiras equipes de resgate já atuam em território venezuelano.
O balanço oficial até o fechamento desta reportagem aponta 164 mortos, 971 feridos e 30 réplicas registradas pela Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis). O estado de La Guaira foi declarado zona de desastre.
Pronunciamento nacional
Delcy Rodríguez comandou a cadeia nacional de rádio e televisão às 21h30 da quarta-feira, dia 24, e voltou a falar durante a madrugada, após a instalação do Estado-Maior de Emergência. Nas duas intervenções, destacou três pilares da resposta governamental: continuidade institucional, comando unificado e prioridade absoluta ao salvamento de vidas.
“Mantenhamos a união para salvar vidas. O mais importante agora é resgatar vidas.”
A declaração de estado de emergência foi emitida com base no artigo 338 da Constituição venezuelana e autoriza o Executivo a mobilizar recursos extraordinários, coordenar de forma centralizada as ações de governos estaduais e municipais e suspender temporariamente atividades não essenciais. O Aeroporto Internacional de Maiquetía permanece fechado para voos comerciais, operando apenas para missões humanitárias. O Metrô de Caracas e o sistema ferroviário nacional também tiveram as atividades suspensas, enquanto as aulas em todo o país foram interrompidas por tempo indeterminado.
As frentes de emergência
O Estado-Maior instalado em Miraflores dividiu a resposta em quatro áreas estratégicas, cada uma sob responsabilidade de um dirigente com experiência na administração pública:
- Diosdado Cabello — Política e Segurança: coordenação com a Força Armada Nacional Bolivariana, controle territorial das áreas afetadas e manutenção da ordem pública.
- Pedro Rafael Ramírez — Serviços: restabelecimento do fornecimento de energia elétrica, água, telecomunicações e combustíveis.
- Héctor Rodríguez — Área Social: gestão de abrigos, assistência humanitária, cadastro de desabrigados e articulação com programas sociais.
- Calixto Ortega — Economia: mobilização de recursos, coordenação com o setor privado e elaboração do plano de reconstrução.
A autoridade máxima em campo será o major-general Domingo Hernández Lárez Sulbarán, da Guarda Nacional Bolivariana, encarregado de coordenar de forma centralizada todas as operações de busca, resgate e assistência humanitária. O modelo de comando único, sob liderança civil do Estado-Maior presidido pela presidente em exercício, segue o formato tradicional de gestão de catástrofes já utilizado anteriormente pelo governo venezuelano.
Cadastro de desaparecidos
O governo disponibilizou a plataforma VenApp como canal oficial para o registro de pessoas desaparecidas e para consultas de familiares. A medida busca centralizar informações, evitar a circulação de listas falsas nas redes sociais e garantir o acompanhamento de cada caso.
US$ 200 milhões com o FMI para reconstrução
Paralelamente às ações emergenciais, Caracas anunciou a criação de um fundo inicial de US$ 200 milhões, acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), destinado à primeira fase da reconstrução.
Os recursos serão utilizados para assistência humanitária imediata, recuperação de serviços essenciais e avaliação estrutural de moradias e infraestruturas críticas. Trata-se da primeira operação dessa magnitude envolvendo o FMI e a Venezuela em vários anos, inserida no processo de reaproximação entre Caracas e o sistema financeiro multilateral.
Cooperação internacional: 14 países e a ONU
A resposta internacional foi imediata. Ofereceram assistência formal os governos dos Estados Unidos, Panamá, Catar, Cuba, Nicarágua, Turquia, Jordânia, Barbados, Curaçao, Colômbia, Reino Unido, Brasil e México, além da Organização das Nações Unidas (ONU).
Delcy Rodríguez agradeceu publicamente o apoio recebido.
As primeiras equipes de resgate que chegaram à Venezuela vieram dos Estados Unidos, México, El Salvador, Catar e República Dominicana. Os grupos desembarcaram com cães farejadores, equipamentos de detecção de vítimas e especialistas em colapsos estruturais. A ajuda continua chegando por via aérea, através de Maiquetía, e por corredores terrestres a partir da Colômbia e do Brasil.
Yaracuy, o epicentro da tragédia
O primeiro terremoto foi registrado às 18h04 (horário local) da quarta-feira, 24 de junho, com magnitude 7,2 e epicentro na região entre Yumare e Morón, no estado de Yaracuy. Apenas 39 segundos depois, às 18h05, um segundo tremor de magnitude 7,5 atingiu a mesma área.
A sequência incomum — dois grandes terremotos em menos de um minuto — ampliou os danos estruturais e dificultou a resposta inicial dos serviços de emergência.
As áreas mais afetadas são os estados de Yaracuy, Carabobo, Falcón, La Guaira e a Região Metropolitana de Caracas. Até o momento, a Funvisis registrou 30 réplicas, várias delas com magnitude superior a 5.
Continuidade do Estado
A sequência de medidas adotadas nas últimas horas consolidou, tanto na opinião pública venezuelana quanto internacionalmente, a imagem de um Estado em funcionamento e capaz de coordenar a resposta à crise. O pronunciamento nacional, a instalação do Estado-Maior de Emergência, a nomeação de uma autoridade única, o acordo com o FMI e a articulação da ajuda internacional ocorreram em poucas horas, dentro de uma sequência institucional claramente definida.
Em meio à pior emergência natural enfrentada pelo país nos últimos anos, a liderança civil do governo, conduzida pela presidente em exercício Delcy Rodríguez, manteve a coordenação das ações sem interrupções.
A frase que encerrou o pronunciamento resume o tom adotado pela administração para as próximas semanas de resgate e reconstrução:
“Mantenhamos a união para salvar vidas. O mais importante agora é resgatar vidas.”
