Vasco Botelho da Costa: «Fomos obrigados a jogar hoje, não é justo»
Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, em declarações, na sala de imprensa do Parque de Jogos Comendador de Almeida Freitas, após a derrota pesada (0-4) na receção ao Benfica O técnico pede que seja feita uma reflexão referente ao calendários imposto aos cónegos.
Análise ao jogo
«O plano era este, mas nunca tivemos frescura. Chegámos sempre tarde à pressão nos centrais do Benfica, o que fez com que a equipa tivesse sempre de vascular. Conseguimos fechar relativamente bem o Benfica a grandes oportunidades, mas andaram sempre perto da nossa baliza e, andando perto da baliza, estamos sempre mais perto de sofrer. Acabou por ser o penálti a desbloquear e na segunda parte ainda senti mais, nunca conseguimos fechar, ficámos muito descrentes com o que estava a acontecer a nível de resultado. Não tivemos frescura nem capacidade para correr o que era preciso correr para ter sucesso no jogo».
Dois jogos em pouco tempo
«Acredito que seja fácil olhar de fora e dizer que as equipas querem jogar de três em três dias. Mas, o ser humano vive de estímulos e adaptação, estamos habituados a cinco treinos e um jogo, treinos com determinadas cargas físicas e não estamos habituados a dois jogos neste espaço de tempo, em três dias. Ainda para mais os dois jogos que são. Uma coisa são jogos do nosso campeonato, com equipas desta dimensão, ainda mais sentimos. Fico triste, isto não é muito justo. O Moreirense foi o primeiro a adiar o jogo, mas queríamos jogar numa semana limpa, e fomos obrigados a jogar hoje. É difícil pedir mais aos nossos jogadores. Todos queremos criar condições para as nossas carreiras evoluírem, queremos jogar Europa, mas essa anda não é a nossa realidade. Não conseguimos competir».
«Debatemos estas situações enquanto estrutura, mas decisão não é nossa. Digo-o em jeito de reflexão. Todos queremos um futebol melhor. Se pudermos criar condições para as equipas que jogam as competições europeias, para terem uma melhor prestação, cinco estrelas. Mas, depois temos de perceber que quando nos colocam o jogo três fias depois do Dragão, é injusto. Não estou a dizer que se criou alguma irregularidade, nem a apontar dedos. Quanto mais competitivos forem os jogos mais estímulos têm as equipas europeias, depois é fácil dizer que a diferença é muito grande. Ainda ontem uma equipa do nosso campeonato jogou contra uma equipa de Premier Legue, e é fácil apontar o dedo internamente. Não é regra, mas é uma recomendação que sugere que nenhum clube jogue com clubes do top 5 em semanas consecutivas; nós não jogámos numa semana, jogámos em três dias. As regras são estas, vamos à luta com o que temos, mas é óbvio que pesou e teve influência. Estas coisas têm de ser repensadas».
Sentimento após estes dois jogos com FC Porto e Benfica
«Acho o que tiramos é sentirmos muito mais do jogo de sexta-feira e da primeira parte de hoje que temos capacidade de jogar de igual para igual, independente do resultado de hoje. Vi nas expressões deles, e já os conheço, a quererem ir, a querer reagir e a não serem capazes. Temos de retirar confiança que somos bons, temos qualidade e vamos ser cada vez melhores ao agarrar-nos à condição competitiva que tivemos em alguns momentos destes dois jogos, e erradicar erros que tivemos»
