Conselho de Direitos Humanos da ONU exige fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Conselho de Direitos Humanos da ONU exige fim do bloqueio dos EUA contra Cuba


As medidas coercitivas unilaterais — o bloqueio — impostas pelo governo dos Estados Unidos constituem uma violação massiva e multifacetada dos direitos humanos do povo cubano. É o que determina o relatório elaborado pela jurista bielorrussa Alena Douhan, especialista em direito internacional, e respaldado nesta quarta-feira (9) pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

O documento foi elaborado a partir de uma visita de campo a Cuba realizada no final de 2025 e detalha como as sanções unilaterais contra a ilha, a inclusão de Cuba pela Casa Branca na lista de “Estados Patrocinadores do Terrorismo” e o cerco energético provocam uma deterioração de direitos humanos básicos, como saúde, alimentação, energia e desenvolvimento.

Durante o Diálogo Interativo, um intercâmbio entre as delegações, o representante permanente de Cuba junto ao Escritório das Nações Unidas em Genebra, Rodolfo Benítez Verson, afirmou que “o propósito perverso e deliberado dos Estados Unidos é provocar carências extremas e asfixia total às famílias cubanas” e declarou que o relatório “desmascara o mentiroso”, em referência à posição dos Estados Unidos de negar a existência de um bloqueio.

Não pode haver maior cinismo do que asfixiar um povo e culpar os outros. O relatório da Relatora prova que os Estados Unidos mentem quando pretendem responsabilizar Cuba pelas consequências de seus atos cruéis”, afirmou.

Da mesma forma, destacou a avaliação da relatora de que, apesar dos esforços de Cuba para proteger a população, as ações dos Estados Unidos são de tal magnitude e persistência que provocam escassez de bens e serviços essenciais nos lares cubanos. Segundo explicou, a análise jurídica da relatora refuta a afirmação de Washington de que sua política em relação a Cuba é legal e demonstra que o bloqueio viola o direito internacional e invade a soberania e a jurisdição de outros Estados.

“Os artífices dessa política de genocídio e punição coletiva celebram como sucessos a agonia de uma mãe cubana que perde um filho por falta de medicamentos. Eles se alegram com os prolongados cortes de eletricidade e com as dificuldades no abastecimento de água e de outros serviços básicos”, afirmou.

Em linha com as denúncias que Havana vem apresentando, Benítez Verson afirmou que a política dos Estados Unidos constitui “genocídio e punição coletiva” e lembrou que as chamadas “sanções secundárias” — impostas contra terceiros países — impediram que mais de 7 mil contêineres com alimentos e medicamentos pudessem entrar em Cuba.

Conselho de Direitos Humanos da ONU

O debate foi recebido em Havana como uma nova vitória diplomática. Por meio das redes sociais, o chanceler Bruno Rodríguez afirmou que “nenhuma nação defendeu a conduta criminosa dos Estados Unidos” e que a comunidade internacional “levantou sua voz de maneira contundente para exigir o fim do bloqueio”.

Responsável por fortalecer a promoção e a proteção dos direitos humanos em todo o mundo, o Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH) é o principal órgão intergovernamental dentro do sistema das Nações Unidas. O Conselho é composto por 47 Estados-membros da ONU, eleitos diretamente pela Assembleia Geral por meio de voto secreto e por maioria absoluta.

O relatório da Relatora Especial exige explicitamente o fim imediato do cerco energético e econômico, instando tanto os Estados Unidos quanto a comunidade internacional a adotar medidas concretas que ponham fim ao bloqueio. Também exige a retirada de Cuba da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo, que dificulta gravemente o acesso da ilha ao sistema financeiro internacional.

Além disso, pede a revogação das sanções extraterritoriais e secundárias que afetam terceiros países, empresas e bancos que mantêm relações comerciais com Cuba, bem como a garantia do fornecimento de alimentos, medicamentos, combustível e tecnologia por meio de isenções humanitárias efetivas que permitam superar o excesso de rigor bancário.

A Relatora Especial também exorta ao abandono da política de pressão unilateral e ao avanço em direção a um diálogo bilateral baseado no direito internacional, no multilateralismo e na cooperação. Suas recomendações apontam, assim, para a reversão das medidas que, segundo o relatório, agravam as dificuldades de acesso do povo cubano a bens e serviços essenciais.





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