Trump é acusado de conspirar contra eleição brasileira
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- Senadores democratas do Comitê de Relações Exteriores dos EUA acusam o governo de Donald Trump de espalhar teorias conspiratórias sobre a eleição presidencial brasileira de outubro.
- O Washington Post relata que os funcionários Riley Barnes e Samuel Samson pretendiam ir a Brasília para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
- O Itamaraty negou os vistos dos dois agentes sete dias antes da data prevista, impedindo a viagem.
- A denúncia, assinada por dez senadores democratas, afirma que a iniciativa ultrapassa a diplomacia tradicional e visa desacreditar o pleito soberano.
Senadores democratas do Comitê de Relações Exteriores dos Estados Unidos acusaram o governo Donald Trump de “propagar teorias conspiratórias” sobre as eleições presidenciais brasileiras de outubro.
Segundo reportagem do The Washington Post, dois funcionários da administração americana, Riley Barnes e Samuel Samson, tentaram viajar ao Brasil com a missão de questionar a integridade do sistema eleitoral.
Impedida pelo Itamaraty, a viagem não ocorreu: os vistos foram negados cerca de uma semana antes da data prevista para o embarque.
A manifestação é assinada por dez senadores do Partido Democrata.
Democratas acusam Trump de tentar interferir na eleição brasileira
De acordo com o The Washington Post, Barnes e Samson desembarcariam em Brasília para “lançar dúvidas sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral” brasileiro às vésperas da eleição presidencial.
A viagem, porém, foi bloqueada pelo Itamaraty, que negou os vistos dos dois funcionários sete dias antes do embarque previsto.
Para os senadores democratas, a iniciativa extrapola os limites da diplomacia tradicional e representa uma tentativa de desacreditar um processo eleitoral soberano.
Líder da bancada democrata no comitê, a senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, destacou um trecho da reportagem do Washington Post:
“Costumávamos empregar poder em situações de risco para a democracia. Agora, enviamos indicados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país.”
Governo Trump nega acusações
Procurada, a administração Trump classificou as informações envolvendo Barnes e Samson como uma “mentira sem fundamento”.
O governo, no entanto, não explicou qual seria o objetivo da viagem dos dois funcionários nem esclareceu por que eles pretendiam vir ao Brasil em pleno período eleitoral.
Já os senadores democratas foram duros nas críticas:
“Propagar teorias conspiratórias sobre as eleições não torna a América mais segura. Isso corrói a confiança em nossa democracia internamente e afasta nossos amigos no exterior.”
O documento é assinado por Jeanne Shaheen, Chris Coons, Chris Murphy, Tim Kaine, Jeff Merkley, Cory Booker, Brian Schatz, Chris Van Hollen, Tammy Duckworth e Jacky Rosen.
Embora integrem o Comitê de Relações Exteriores, os dez parlamentares pertencem à bancada democrata, atualmente minoria diante dos 12 senadores republicanos que compõem a comissão.
Flávio e Trump
O episódio ocorre em meio à aproximação entre Donald Trump e Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
Questionar o sistema eleitoral tornou-se uma marca comum do trumpismo e do bolsonarismo. Em 2022, Jair Bolsonaro reuniu diplomatas estrangeiros para apresentar acusações, posteriormente desmentidas, contra as urnas eletrônicas. O episódio contribuiu para sua condenação à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Agora, a estratégia volta ao centro do debate.
Trump já declarou apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro e chegou a divulgar uma fotografia ao lado do senador no Salão Oval da Casa Branca no mesmo dia em que anunciou novas medidas contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação dos parlamentares democratas, a tentativa de enviar emissários ao Brasil para questionar a lisura das eleições integra esse contexto de internacionalização das disputas políticas envolvendo a extrema direita.
O caso também se soma às recentes críticas dirigidas ao presidente argentino Javier Milei, que participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo e atacou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, episódio que provocou uma crise diplomática entre Brasil e Argentina.
