«As coisas nunca foram fáceis para o Gonçalo Ramos, nem sempre foi o ‘número um’ na posição dele»

«As coisas nunca foram fáceis para o Gonçalo Ramos, nem sempre foi o ‘número um’ na posição dele»


Natural de Sátão, em Viseu, Alexandre Penetra entrou no mundo do futebol com a ajuda do pai de João Félix.

Aos 12 anos, deixou o lar para rumar ao Seixal, onde se fez futebolista e Homem. Voltar ao Benfica, agora para a equipa principal, deixá-lo-ia «muito feliz», mas garante não perder muito tempo com meros cenários hipotéticos.

Assumindo a preferência por jogar como defesa-central, Penetra partilha o gosto pelo lado tático do jogo, que o leva a pensar em tornar-se treinador, no futuro.

Do alargado lote de craques com quem jogou, elege Gonçalo Ramos, Vangelis Pavlidis, Kees Smit e Troy Parrot como aqueles que mais o impressionaram.

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PARTE I – Penetra: «Colocar o meu nome na história do AZ deixa-me muito feliz»

PARTE II – Penetra: «Não me surpreendeu o que Farioli conseguiu fazer no FC Porto»

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Se não tivesse sido futebolista, o que gostava de ter sido?

É uma pergunta complicada. Há uns anos, não sei o que diria, provavelmente praticar outro desporto. Sempre gostei de ténis, mas agora estou mais virado para o padel. Ou então começar a pensar mais cedo em ser treinador.

Gosta desse lado estratégico do futebol?

Gosto muito. Perco muito tempo a ver jogos de futebol e gosto muito de perceber as dinâmicas.

Ao longo da carreira jogou sempre como defesa?

Fui sempre defesa, no máximo médio defensivo. Nunca passou muito disso. Sempre gostei de ver o jogo desde trás e de o organizar. Ser líder sempre foi uma caraterística minha, e sê-lo mais atrás (no terreno) acaba por ser mais fácil. Consigo organizar a equipa muito mais facilmente, consigo ver tudo.

E quis ser defesa por ter ídolos no futebol nessa posição?

Não, acabou por ser tudo natural. Quando comecei a jogar não havia posições, mas depois, apesar de ser normal todos quererem jogar na frente, eu sempre fiquei tranquilo e comecei a ter sucesso logo desde muito novo nesta posição.

Prefere jogar como defesa-central ou lateral?

Central, central. Para as minhas caraterísticas, acaba por ser mais benéfico jogar como central. Quando joguei a lateral, no Famalicão, tínhamos uma nuance que era positiva para mim, porque na esquerda tínhamos o Francisco Moura, que era praticamente um ala, e nós defendíamos a quatro, mas a atacar era muito a três. Eu ficava mais perto dos centrais, o Francisco Moura subia (na ala esquerda) e o Iván Jaime vinha para a posição 10. Nesse aspeto, acabei por ter um pouco de sorte porque tinha os jogadores perfeitos para poder ter sucesso a lateral. Ao início, foi uma posição bastante complicada para mim, principalmente quando se apanham aqueles extremos irreverentes que vão ‘para cima’.

É natural de Sátão, no distrito de Viseu. Costuma regressar às suas raízes frequentemente?

Sim, sempre que posso. As pessoas brincam, dizem que me querem ver jogar nos clubes que apoiam e ficam muito contentes por me ver. Elas torcem pelo meu sucesso e isso é o mais importante.

E é verdade que foi o pai do João Félix que viu em si potencial para ser futebolista?

Foi. Na altura, o meu pai tinha-lhe dito que eu gostava muito de futebol e ele disse-lhe para me levar ao clube. A partir daí nunca mais saí.

Mantém ligação com a família Félix?

Somos de gerações diferentes e quando fui para o Benfica, eles acabaram por ir para o FC Porto. Depois eles entraram no Seixal e aí falámos, mas temos idades diferentes e, na altura, o João ‘explodiu’, passado um ano. Cada um teve o seu caminho, mas torço por eles e sei que eles querem o meu sucesso.

Por falar no Seixal, o que guarda dos muitos anos que lá passou?

Basicamente, passei toda a minha infância e juventude lá. Foi muito duro, mas também, se calhar, a melhor experiência da minha vida. A partir do momento em que saí de casa, aos 12 anos, isso deu-me muita maturidade e responsabilidade. Desde novo comecei a perceber o que é importante ter para se ter sucesso na vida e no futebol. Desenvolvi muito rápido e desde muito novo que consigo ser independente e responsável.

Gostava de voltar ao Benfica, agora para a equipa principal?

Se o momento for bom para mim e para o clube, porque não? Mas não é uma coisa em que esteja sistematicamente a pensar. Era algo que, neste momento, me deixaria muito feliz, seria um passo importante para mim. Se tiver de acontecer, vai acontecer. Se não, é o que é. Vai haver clubes que me vão querer, outros não, isso faz parte da carreira de futebolista. É difícil de controlar, mas obviamente que é um clube especial para mim.

Já integrou diversos plantéis recheados de talento. Quem foi o jogador que mais o impressionou?

Vou dar três nomes, por diferentes motivos. Pelo trabalho sempre foi o Gonçalo Ramos. As coisas nunca foram fáceis para ele, não foi sempre o ‘número um’ na posição dele, mas conseguiu muito bem agarrar as oportunidades e hoje está ao nível que está. Pela qualidade, vou dizer o Pavlidis. Quando cheguei ao AZ Alkmaar, era o jogador mais da equipa, pela maneira como tocava na bola, como a segurava, como rodava e ajudava a equipa em todos os momentos do jogo. Foi o ponta de lança que mais me surpreendeu quando cheguei. Agora, mais recentemente, foi o Kees Smit (na foto ao lado de Alexandre Penetra), no sentido do talento puro. Digo-lhe muitas vezes que, quando o vejo jogar, sinto que ele é uma criança sem responsabilidade, no bom sentido. Isso não é fácil de ver hoje em dia, porque quando os jogadores sobem à primeira equipa já têm de ir com aquela responsabilidade tática, e ele acaba por ser um excelente jogador não tendo essa responsabilidade. Pega na bola à frente da defesa e ‘vai para cima’, não tem receio de a perder, e acaba por ter muito sucesso. Outro jogador que evoluiu muito foi o Troy Parrot. É um avançado claramente preparado para outro nível.

Mencionou o Pavlidis. Surpreende-o, de alguma forma, a quebra de forma dele no Benfica, na parte final da época passada?

Comparando as duas ligas, o número de golos que se marca na holandesa é muito superior ao da liga portuguesa. Por isso, acaba por ser um pouco normal e o reflexo da equipa, pela instabilidade que se criou e tudo mais. Às vezes, os jogadores têm momentos mais complicados, mas no ano em que joguei com ele (no AZ), marcou 33 golos. Por isso…



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