RS: irmãos mentiam sobre agressões, diz delegada – 12/07/2026 – Cotidiano
Os irmãos do menino de 3 anos morto após ser agredido pelo pai no Rio Grande do Sul eram coagidos a mentir quando levados a hospitais ao serem feridos por atos violentos, diz a delegada Luana Medeiros, que investiga o caso.
“Sempre foram ensinados a mentir, coagidos pelo pai a mentir, a não falar a verdade no hospital. Eles diziam que tinham caído, que estavam bricando, correndo”, afirmou a delegada ao “Fantástico”, da TV Globo.
O menino morreu na última quarta-feira (8), três dias após ter sido agredido pelo pai. O homem, segundo a polícia, confessou a agressão. A violência teria ocorrido após o menino não ter dado “bom dia” da maneira esperada.
Procurada por e-mail nesta sexta-feira (10), a Defensoria Pública, que representou o suspeito na audiência de custódia realizada no dia 6, informou que continuará atuando no processo caso ele não constitua advogado particular.
A criança foi levada ao hospital pelo próprio pai e transferida para outra cidade pela gravidade dos ferimentos. A equipe hospitalar acionou a Brigada Militar e o homem foi preso em flagrante.
A mãe do menino também está presa. Conforme a Polícia Civil, A investigação apontou que ela é suspeita de ter sido conivente e também é suspeita de praticar atos de violência contra os filhos.
A defesa da mulher afirmou que ela é vítima e vivia em situação de “grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado”.
O casal teve outros filhos e todos estão em um abrigo.
O pai é estrangeiro. O Ministério Público do Rio Grande do Sul pediu à Interpol (Polícia Internacional) informações sobre ele.
A Promotoria também solicitou informações de outros estados brasileiros para saber se há mais registros de agressões atribuídas ao pai contra os filhos. Até o momento, há ocorrências em dois estados onde a família morou.
“Existem informações de que não foram só por dois estados que essa família passou, ela vem migrando à medida que existe um cerco às questões que vinham acontecendo [agressões], começam a aparecer esses abusos”, disse a procuradora Alessandra Moura Bastian da Cunha, subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do MP-RS, em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (9).
