Ronaldo Caiado entra na mira do MP de Goiás por uso de policiais como seguranças particulares

Ronaldo Caiado entra na mira do MP de Goiás por uso de policiais como seguranças particulares


O Ministério Público de Goiás ajuizou uma ação contra o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, por considerar excessivo o uso de policiais militares do estado na segurança dele e de familiares. O órgão afirma que a conduta configura ato de improbidade administrativa com enriquecimento ilícito e dano ao erário. A ação também tem como alvos a ex-primeira-dama Gracinha Caiado e o secretário-chefe da Casa Militar de Goiás, coronel Marco Aurélio Godinho.

A ação foi apresentada pela promotora Leila Maria de Oliveira, que pede o ressarcimento dos gastos aos cofres públicos, a suspensão dos policiais que excedem a previsão legal e a condenação dos três por improbidade administrativa. Também solicita a concessão de tutela de urgência para suspender os efeitos da portaria assinada por Godinho e limitar a equipe de segurança de Caiado a quatro policiais, sem extensão aos familiares.

Segundo documento obtido pelo jornal Folha de S. Paulo, 51 policiais militares atuam na segurança de Caiado e de familiares. O custo mensal com os salários do grupo é de R$ 797,5 mil, sem incluir gratificações, funções comissionadas e diárias.

A ação questiona uma portaria assinada por Godinho em 1º de abril, um dia após a renúncia de Caiado ao governo de Goiás para disputar a Presidência. A norma determinou que as medidas de segurança também se estendem aos familiares do ex-governador, autorizou que ele indique quais policiais militares iriam compor a equipe, conforme disponibilidade, e estabeleceu que a Casa Militar ficaria responsável pela estrutura de transporte, hospedagem e pelos “demais recursos logísticos necessários à execução das medidas de segurança”.

O benefício é válido pelo período equivalente ao tempo em que o político exerceu o cargo de governador, desde que tenha permanecido na função por mais de três anos. Caiado governou Goiás por sete anos e três meses.

Para o Ministério Público, a portaria “ampliou indevidamente o rol de beneficiários da proteção estatal e possibilitou o emprego de recursos públicos para finalidades estranhas ao interesse público”. O órgão afirma que não existe previsão legal para estender a segurança aos familiares e acrescenta que os fatos têm “especial relevância diante da circunstância de que sua ocorrência coincide com período de intensa atividade de campanha político-eleitoral dos beneficiários”, em referência à pré-campanha de Caiado à Presidência e de Gracinha Caiado ao Senado.

O Ministério Público também sustenta que a regra estadual manteve a norma de 2011, que prevê quatro seguranças para ex-governadores, e conclui que a ampliação aos familiares inovou “na ordem jurídica em matéria não autorizada” pela Constituição Estadual. A ação cita ainda o pagamento de diárias da Secretaria de Estado da Casa Militar em São Paulo, estado para onde Caiado se mudou para coordenar a pré-campanha presidencial.

Além da suspensão da portaria, a promotora pede que a Justiça declare a incompatibilidade da norma assinada por Godinho e determine o ressarcimento integral dos danos ao erário, que ainda serão calculados. O valor da causa é de R$ 1.290.856,55.

O Brasil de Fato solicitou um posicionamento para a assessoria de Caiado e da Casa Militar. O espaço está aberto para pronunciamentos. 





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