Resultado de pesquisa eleitoral aumenta incertezas no mercado

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A nova pesquisa Genial/Quaest colocou mais um ingrediente no debate político. O presidente Lula aparece na liderança nos cenários testados contra o senador Flávio Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, uma decisão do Senado acendeu o alerta entre economistas: a aprovação da PEC 14, que muda as regras de aposentadoria dos agentes comunitários de saúde e pode gerar um impacto estimado em R$ 30 bilhões em dez anos nas contas públicas.
Sem definição
Para a economista Laura Pacheco, o cenário eleitoral ainda está longe de qualquer definição. Ela avalia que Flávio Bolsonaro busca construir uma imagem inspirada no estilo político do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, apostando no discurso conservador e na defesa da liberdade econômica.
Incerteza pela frente
Ainda assim, pondera que há muitas incertezas pela frente. “Tem muito ruído na trajetória de Lula e de Flávio, muitos escândalos que têm se desdobrado ao longo desses últimos meses”, afirmou durante a entrevista.
O efeito das pautas-bomba
O economista Alex Agostini chamou a atenção para outro ponto que deve pesar no debate eleitoral: a situação das contas públicas.
Segundo ele, o próximo presidente, independentemente de quem seja eleito em 2026, terá pela frente um ambiente fiscal bastante desafiador.
Aposentadoria justa, mas preocupante
Ao comentar a chamada “pauta bomba”, Agostini reconheceu a importância dos agentes comunitários de saúde, mas alertou para os efeitos fiscais da proposta.
“É justo e legítimo para a categoria. Do lado das contas públicas, é preocupante, porque a situação já é muito negativa. Não é apenas uma questão de gastar mais, mas da qualidade desse gasto”, afirmou, defendendo que despesas permanentes precisam vir acompanhadas de fontes de financiamento.
Desafio em 2027
A vantagem de Lula sobre Flávio na pesquisa desta quarta-feira é preocupante porque mostra o principal pré-candidato da oposição sem força para derrotar o adversário. A leitura é a de que a política fiscal que está aí vai continuar com a possível reeleição do presidente. Agostini ressalta que a atual gestão do gasto público afasta o Brasil do “grau de investimento” e que a situação fiscal negativa “será um desafio para o próximo presidente” em 2027.
Aprovada em 2 turnos
A PEC foi aprovada pelo Senado em dois turnos e estabelece aposentadoria aos 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, desde que cumpridos 25 anos de contribuição. O texto também proíbe, em regra, a contratação temporária ou terceirizada desses profissionais, salvo em situações emergenciais.
Expectativa
A expectativa é que a proposta seja promulgada até sexta-feira pelo presidente do senado Davi Alcolumbre, enquanto o mercado acompanha de perto os impactos que novas despesas obrigatórias podem trazer para o equilíbrio das contas públicas e para o ambiente econômico dos próximos anos.
