PT lança plano de governo de Lula

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou, na noite desta sexta-feira (7), o plano de governo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento é dividido em 13 temas principais. Diante da escalada da crise com os Estados Unidos, o PT propõe a rejeição ao “servilismo” e ao alinhamento automático a grandes potências.
O Brasil enfrenta um novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, que pode chegar a uma sobretaxa de 37,5%. Segundo as diretrizes, a estratégia econômica foca em reduzir a vulnerabilidade do país a esses choques externos.
“Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica. Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”, diz o documento.
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No campo diplomático, o plano afirma que o Brasil deve ser livre de qualquer tipo de “subordinação estratégica”. A proposta defende uma política externa universalista e independente, baseada na reciprocidade e no multilateralismo. O plano de governo enfatiza:
- A integração sul-americana como o “primeiro círculo de projeção estratégica”;
- A aproximação geopolítica com o Brics e o Sul Global;
- A ampliação das relações com a África e o Sudeste Asiático.
O governo propõe a neoindustrialização e a transição ecológica como formas de fortalecer a base produtiva nacional, garantindo que o desenvolvimento seja baseado nos interesses brasileiros e não nos de “outras potências”
Soberania digital e tecnológica
O plano de Lula coloca a soberania digital como prioridade, visando o desenvolvimento de inteligência artificial e infraestruturas críticas operadas por instituições nacionais. De acordo com a proposta, o objetivo é assegurar que o ambiente digital brasileiro submeta-se às leis locais e proteja dados sensíveis, reduzindo a dependência externa em áreas estratégicas.
Fortalecimento da Defesa
Para sustentar essa postura independente, o plano prevê o fortalecimento da Base Industrial e Tecnológica de Defesa. O argumento é que não existe projeção internacional soberana sem capacidade de defesa e dissuasão.
A defesa nacional exige Forças Armadas bem equipadas e uma indústria de defesa sólida, capazes de proteger o território brasileiro e seus recursos naturais diante de ameaças externas”, afirmou o partido.
“Por isso, fortaleceremos a Base Industrial e Tecnológica de Defesa, de modo a assegurar maior autonomia nacional nesse campo e estimular inovações com impactos positivos sobre o conjunto da economia”, acrescentou.
O plano destacou que, além da importância estratégica, a produção de equipamentos essenciais à defesa do país, também é essencial para a economia, pois “envolve o domínio de tecnologias sensíveis, a geração de empregos de alta qualificação e a ampliação de exportações de maior valor agregado”.
Nesta quarta (4), o ministro da Defesa, José Múcio, chegou a dizer que, em uma eventual invasão dos Estados Unidos, o melhor que o Brasil pode fazer é “abrir o portão”.
“Eu vejo os jornalistas o tempo todo [perguntando]: ‘se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que é que o senhor faz como ministro da Defesa?’ Abro o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, disse o ministro, em tom de brincadeira.
Manutenção do arcabouço fiscal
Para um eventual quarto mandato, Lula se compromete a manter o novo arcabouço fiscal. O objetivo é criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, garantindo inflação controlada e responsabilidade fiscal.
“O resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções”, diz o documento.
O plano destaca que essa gestão fiscal “republicana” busca o reequilíbrio das contas públicas, com projeções de que o déficit primário encerre 2026 próximo a 0,4% do PIB, atingindo quase o equilíbrio fiscal.
Segurança pública
O plano governo reitera a promessa de Lula de recriar o Ministério da Segurança Pública dedicado exclusivamente a coordenar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), caso o Congresso aprovar a PEC da Segurança Pública.
A proposta reafirma o compromisso com a política de controle rigoroso de armas e munições, mantendo a revogação de decretos que facilitavam o acesso a armamentos.
O governo pretende aprimorar a rastreabilidade e reforçar a fiscalização da Polícia Federal e do Exército sobre empresas de segurança e registros de colecionadores (CACs). Outros pontos destacados pelo partido são:
- Fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) e presença das Forças Armadas nas fronteiras para combater o desmatamento e o garimpo ilegal;
- Sistema Prisional: Implementação do Plano Pena Justa e isolamento rigoroso de lideranças criminosas em presídios federais;
- Combate a fraudes bancárias, crimes de ódio, racismo e exploração sexual de vulneráveis no ambiente digital;
- Expansão do programa Celular Seguro para reduzir receptação e roubos de aparelhos.
O governo também defende a valorização dos profissionais de segurança e a adoção do policiamento de proximidade para fortalecer a confiança da população nas instituições. O plano prevê a expansão do uso de câmeras corporais com padrões nacionais de gestão de imagens.
