O que está por trás da humilde carrinha de João Neves? – Observador

O que está por trás da humilde carrinha de João Neves? – Observador



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Já vamos voltar aqui ao tema João Neves e àquela chegada épica.

Há novidades.

Há novidades. Vamos agora a outra chegada polêmica a um centro de treinos. Aconteceu em Barcelona. A jogadora brasileira Caroline Nicoli chegou esta quinta-feira no seu carro ao centro de treinos do Barcelona. Aliás, isto foi quando ela se preparava para sair já do centro de treinos. Normalmente, nós sabemos que estão lá muitos repórteres e também muitos adeptos à procura de um autógrafo. E Nicoli foi abordada por um grupo de adeptos do Barcelona. Só que não era para lhe pedir autógrafos a ela, era a Rafinha. Confundiram-na com Rafinha. É verdade.

Quem nunca?

Acontece, pode acontecer.

Acontece todos os dias.

Mas não foi se aproximarem: “ai, não é o Rafinha?” Não. Eles se aproximaram, o seu carro estava parado.

Falaram com ela.

Falaram com ela. Aliás, houve mesmo uma senhora, que não se sabe se será mãe ou avó de uma criança, de um adepto que estava lá para também ter um autógrafo, pôs-se à frente do carro da jogadora e exigiu que tirasse dois minutinhos do seu tempo para atender os adeptos. E perante a recusa de Nicoli, que ela tentava explicar que não era o Rafinha, que era uma mulher e que era uma jogadora.

Aquilo de dizer: “os fios, os brincos, mas nem isso agora dá para distinguir.”

Eles são assim tão parecidos.

É assim à distância.

Com a emoção.

Como vejo mal à distância, sim.

Com a adrenalina e com o barulho das luzes, a senhora não só se tinha posto à frente do carro, como perante a argumentação da jogadora, acabou por insultá-la. Não valeu de nada ali o esforço para provar que não era o Rafinha. Eu se fosse a ela, chegava ali a uma certa altura: “está bem, deem cá, eu assino Rafinha” e pronto, e adeus.

E siga.

E até à próxima. Estas chegadas e saídas dos centros de treinos estão cada vez mais emocionantes do que o que se passa-

Os mesmos a tirarem fotografias. O que é isto?

Ela é jogadora. Eles podem sempre dizer que têm um autógrafo, que têm uma fotografia de uma jogadora do Barcelona.

Só pelos risos via-se logo que não era o Rafinha. É diferente.

Eu acho que eles não sabem. Eu acho que eles nem sabem distinguir os jogadores. Bem, João Neves. Já falámos aqui desta história da chegada com uma carrinho de mercadorias ao centro de treinos do Paris Saint-Germain. Esta semana foi uma notícia que esteve em todo lado. Havia muitas possibilidades aqui sobre, afinal, que explicação é que poderia haver para João Neves ter levado uma carrinho de mercadorias e não um Ferrari para o centro de treinos. Houve quem imaginasse aqui um carregamento de bacalhau. Eu disse aqui, não fui o único, muitas pessoas disseram nas redes sociais que João Neves poderia estar em mudanças e pronto.

Ter aproveitado a carrinho.

Ter aproveitado a carrinho. E olha, já que estou em mudanças, leva a carrinho para o centro de treinos. Mas há uma explicação, e é uma explicação que também abona muito a favor do jogador português, é que isto tinha que ver com o transporte de artigos que João Neves entregou a instituições de solidariedade apoiadas pela Fundação Paris Saint-Germain. Há uma fundação que apoia, normalmente são crianças com necessidades, e João Neves levou a carrinho cheia de artigos para entregar à fundação do Paris Saint-Germain. Claro que isto também foi amplamente divulgado, não pelo jogador, mas pelo próprio Paris Saint-Germain. Antes tinha havido aqui reações e o Paulo tinha nos trazido aqui a explicação. A explicação não, a informação sobre a marca da carrinho.

Vi na hora.

E a Peugeot, que é a marca da carrinho, também aproveitou para se juntar aqui. E fizeram também uma publicação na rede social X a dizer: “É uma carrinho para todos os profissionais, incluindo jogadores de futebol.” Esta carrinho é construída, fabricada na fábrica de Mangualde, em Portugal.

Ainda por cima. Aqui perto da minha terra.

E toda a gente, todos os envolvidos, mais ou menos diretamente nesta história, acabaram por aproveitar.

Ainda se vai saber quem é que pôs o último parafuso naquela Peugeot partner.

Não é aquela minha, é aquela.

É aquela, precisamente.

Foi o José da linha de montagem.

José da linha de montagem, se nos estiver a ouvir, por favor, contacte-nos. Queremos tê-lo aqui em direto no “Três Toques” para explicar um pouco como é que é todo o processo de fabricar este modelo da Peugeot.

E foi o senhor Vítor que pôs lá aquela matrícula.

Exatamente. Está muito bem parafusada, aliás.

Está muito bem que eu vi logo.

E nós aqui já falámos no outro dia da importância de parafusar as matrículas. Atenção a isso.

Ainda sobre esta história. Vocês reparem na nossa formatação, nossa toda, formatação mental e social, para que uma carrinho que um jogador de futebol leva é um assunto.

É um tema, é um acontecimento.

E já a marca está a associar-se. É impressionante, não é?

Estamos habituados aos bólides.

Claro, não é normal.

Isso é que é preocupante.

Pois é.

Gira era ser o Ronaldo a chegar.

Olha, eu vou ficar em silêncio durante cinco minutos.

Gira era ser o Ronaldo a chegar.

Mas aí mesmo com uma Ford Transit.

Sim. Mas assim um bocadinho mais velha.

Mas cheia de pessoal das obras Vinha aqui trazer pessoal para umas obras aqui em casa.

Com uns andaimes por cima.

Ou talvez da Constro Barcelos, nunca se sabe.

Com uns bidões.

Ou bidom. Bidom, bidões?

“Le bidon bidon”. Em francês é bidon.

Bidon.

“Le bidon ville”. Adama Traoré.

Quem?

Adama Traoré, jogador espanhol. Jogou muitos anos.

Pensei que estava a dar uma confusa.

Estás bem?

Adama Traoré, jogador que esteve muitos anos na Liga Inglesa, agora foi apresentado no Deportivo da Corunha e teve uma apresentação que foi um bocadinho repetitiva. Todos nós temos as nossas bengalas, que nos ajudam a falar em público. É normal.

Faz-nos sentir mais confortáveis.

Claro, dá-nos uma ajudinha. Adama Traoré abusou da bengala.

“Una opción muy buena para mí, básicamente, para poder básicamente el proyecto ha hecho que básicamente yo básicamente pueda básicamente venir aquí y poder básicamente con Auba, básicamente aconsejó, básicamente me dijo básicamente el proyecto básicamente y eso me convenció. También básicamente tengo historia con el Depor, debuté básicamente con él. Básicamente, entonces, tanto las personas básicamente, básicamente que básicamente el Depor es algo básicamente”

Isto já está cortado.

Pois, senão já seria.

Já está cortado. E mesmo assim são dois minutos de vídeo e áudio.

Sem cortes, na íntegra. E ele conseguiu lá meter esses “basicamente” todos.

Eu acho que ele queria respirar e em vez de respirar, saía “basicamente”.

Foram 85 vezes.

Alguém contou.

Em dois minutos?

Não. O vídeo, já com cortes, tem dois minutos dele sempre a dizer “basicamente”. A apresentação foi mais longa.

Demorou dois minutos a dizer “basicamente”.

“Basicamente”, 85 vezes. Deve ter sido um recorde mundial. Eu acho que isso deve ir para o Guinness. Adama Traoré explicou que tem uma ligação também afetiva ao Depor e sempre que dizia qualquer coisa lá vinha um “basicamente” para ajudar. Nós ouvimos até aqui no “Momentos de Glória”, os miúdos têm muito hoje o “tipo”, que veio importado do “like”. Mas o “basicamente”, eu acho que há uns anos houve também uma epidemia de “basicamente”. Adama Traoré está a tentar pôr isto de novo numa trend.

Mas ele pode pedir ajuda, isto resolve-se.

Pois, para quê resolver? Depois deixamos de ter assunto.

Basicamente é muito chato.

Basicamente é um bocadinho.

Para além do áudio, também vale a pena ver o vídeo, porque ele agora tem um novo look, o Adama Traoré, com umas tranças.

Se ele vai lá para a entrada do clube.

Pode ser confundido com o Sansão. É um penteado espetacular. Não sei se ele vai usar isto em campo. Não sei se dá muito jeito. Adama Traoré basicamente já está na história do Depor, basicamente por causa do “basicamente”.

Basicamente por isto.





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