Novo líder do Hamas morto em ataque israelita

Novo líder do Hamas morto em ataque israelita


“O comandante do braço armado da organização terrorista Hamas em Gaza foi eliminado ontem”, escreveu o ministro israelita da Defesa, Israel Katz, numa mensagem na rede social X.

Em comunicado conjunto, o exército israelita e o Shin Bet, a agência de segurança interna de Israel, confirmaram que Mohammed Odeh, que “ocupava o cargo de chefe do braço armado do Hamas após a eliminação de Ezzedine al-Haddad” (a 15 de maio, num ataque israelita), foi morto num “ataque no norte da Faixa de Gaza“.



Mohammed Odeh chefiava há muito os serviços de informação das Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas. A sua nomeação como chefe das Brigadas, sucedendo a al-Haddad, nunca foi anunciada ou confirmada pelo movimento islamita palestiniano.


Pelo menos três palestinianos foram mortos e dezenas ficaram feridos no grande ataque de terça-feira, que atingiu um edifício residencial numa das zonas comerciais mais movimentadas da Cidade de Gaza, disseram médicos e testemunhas locais. 

Segundo o exército israelita e o serviço de segurança Shin Bet, os edifícios que serviam de esconderijo a Odeh foram alvejados depois de os seus movimentos terem sido rastreados durante vários meses. O Hamas ainda não comentou.

Acrescentaram que também atingiram “um apartamento próximo pertencente a um terrorista do Hamas que participou no ataque de 7 de outubro e fazia parte do círculo de auxiliares de Odeh”, referindo-se ao ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel que desencadeou a guerra em Gaza.



O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na terça-feira que Odeh foi “um dos arquitetos do massacre de 7 de outubro”.

“Odeh foi responsável pelo assassinato, rapto e ferimento de muitos cidadãos israelitas e soldados das Forças de Defesa de Israel”, continuou o comunicado.

O antecessor no comando do braço armado do grupo, Izz ad-Din al-Haddad, foi morto noutro ataque aéreo israelita no início de maio.Ataques regulares a Gaza apesar do cessar-fogo

Este é o mais recente ataque israelita mortal em Gaza, apesar do cessar-fogo com o Hamas que começou em outubro.

O ataque atingiu os três andares superiores do edifício al-Kayali, no centro da Cidade de Gaza, onde as ruas estavam movimentadas com compradores na véspera do feriado muçulmano do Eid al-Adha.

As equipas de resgate acorreram ao local dos ataques, mas tiveram dificuldades em chegar aos pisos superiores devido à extensão dos danos e à aglomeração na área.

Testemunhas disseram que pelo menos cinco mísseis atingiram o edifício quase em simultâneo, vindos de diferentes direções.

Um morador disse ter ouvido o som de um helicóptero a sobrevoar o local antes do ataque.

Imagens do local mostraram ambulâncias e equipas da Defesa Civil a vasculhar o edifício danificado enquanto multidões se juntavam nas proximidades.

Este ataque também teve como alvo um edifício residencial e matou pelo menos três pessoas, segundo testemunhas e uma fonte local.

Israel tem realizado ataques regulares em Gaza desde o início do cessar-fogo, a 10 de outubro.O Hamas tem acusado repetidamente Israel de violar os termos do cessar-fogo e de atacar civis. O Ministério palestiniano da Saúde, controlado pelo Hamas, reportou a morte de mais de 900 pessoas em ataques israelitas durante o cessar-fogo.

O governo israelita afirma ter licença para atacar membros do Hamas e, por sua vez, acusou o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo ao não desarmar.

As fases finais de um plano de paz liderado pelos EUA para Gaza ainda não entraram em vigor, com o progresso a estagnar desde que os EUA e Israel iniciaram uma guerra com o Irão em Fevereiro.

Os EUA anunciaram o início da segunda fase do plano em janeiro, com a governação de Gaza assumida por uma administração tecnocrata de transição, a par da desmilitarização e reconstrução do território.

No entanto, as negociações sobre o desarmamento continuam num impasse, enquanto o Hamas reativou a sua força policial e parece estar a reafirmar a sua autoridade.

Na sua declaração, Netanyahu disse que Israel “continuará a perseguir qualquer pessoa que tenha participado no massacre de 7 de outubro”, acrescentando: “Mais cedo ou mais tarde, Israel irá alcançá-los a todos”.

Cerca de 1.200 pessoas foram mortas no ataque liderado pelo Hamas e outras 251 foram feitas reféns.

Israel respondeu lançando uma campanha militar maciça em Gaza, que reduziu grande parte do território palestiniano a ruínas e deixou muitos dos seus 2,1 milhões de habitantes deslocados.

As forças israelitas mataram mais de 72.800 pessoas em Gaza, segundo o Ministério israelita da Saúde, cujos números são considerados fiáveis pela ONU.


O mais recente ataque israelita a Gaza acontece depois de 31 pessoas terem sido mortas em ataques israelitas no Líbano, onde Netanyahu prometeu intensificar a ação militar contra o grupo armado Hezbollah. Os militares israelitas afirmaram que os seus ataques visaram infraestruturas e combatentes do Hezbollah.


c/agências 



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