Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos

Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos


Nove em cada 10 municípios brasileiros já relataram ao menos um desastre relacionado à água, seja por inundações, deslizamentos, tempestades ou secas. Além disso, mais de 20% da cidades já registraram três das quatro categorias analisadas.

O estudo realizado pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) em parceria com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com a USP (Universidade de São Paulo) e com a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), mostrou que a quantidade de desastres relacionados à água no Brasil aumentaram significativamente entre 1991 e 2024.

Entre 2013 e 2024, as enchentes marcaram um aumento exponencial nos municípios brasileiros, de 29%, no primeiro ano, a 88%, no último.

Segundo o artigo, o crescimento se deu pela “consolidação de plataformas digitais de monitoramento” e pela “intensificação de fenômenos climáticos extremos”.

A pesquisa “Desastres relacionados à água no Brasil: uma avaliação de 1991 a 2024” foi realizada com base nos Registros do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres e do Atlas Digital de Desastres Naturais.

Destruições por categoria

A pesquisa baseou-se em quatro categorias de análise que possuem relação direta ou indireta com a presença ou a ausência de água. Veja:

  • Desastres por inundações: 45% do total (16% em mortes e 32% em perdas econômicas);
  • Desastres por tempestades: 8% do total (11% em mortes e 5% em perdas econômicas);
  • Desastres por secas: 6% do total (35% em mortes e 7% em perdas econômicas) e;
  • Desastres por deslizamentos de terras: 5% do total (1% em mortes e 2% em perdas econômicas)

Regiões mais afetadas

Entre as regiões mais afetadas, o Sudeste registrou a maior mortalidade por enchentes, enquanto o Nordeste sofre o maior prejuízo econômico por causa das secas prolongadas, com quase US$ 29 milhões, ou cerca de R$ 147 milhões (na cotação desta quarta) de perdas.

Já o Sul apresentou o maior número de inundações e mortes por tempestades.

Os pesquisadores alertam, no entanto, que algumas classificações foram dadas de forma incorreta aos desastres naturais, o que pode refletir não necessariamente a realidade com tanta precisão.

Os municípios mais afetados estão no Rio de Janeiro, na Bahia, em Santa Catarina e no Alagoas, sendo:

  • Nova Friburgo (RJ) – líder de mortes por inundação (432 mortes);
  • Petrópolis (RJ) – líder em mortes por deslizamento (108 mortes) e em mortes por tempestades (327 mortes);
  • Milagres (BA) – mortes em decorrência de seca (64 mortes);
  • Rio do Sul (SC) – maior perda econômica por inundações (aproximadamente R$11,4 milhões a partir da cotação de hoje) e;
  • Maceió (AL) – maior perda econômica por deslizamentos (aproximadamente R$14,4 milhões a partir da cotação de hoje).

Ao todo, foram registrados 59.658 desastres, 4.774 mortes confirmadas, 3.031 pessoas desaparecidas e mais de 129,7 milhões de pessoas afetadas. Sobre as perdas financeiras, com base na inflação de 2024, houve mais de R$ 628 milhões convertidos com base na cotação desta quarta (15).

Além disso, o estudo confirmou que, apesar de terem registrado uma diminuição significativa de desmatamento em 2024, em relação a última década, na Amazônia, o número continua sendo preocupante. ” A floresta amazônica continua a sofrer com o desmatamento causado pela abertura de terras para agricultura e pecuária, incêndios florestais, exploração madeireira, mineração e construção de estradas”, mostrou a pesquisa.

Com o aumento de notificações de desastres influenciados por fatores correlacionados às mudanças climáticas, os pesquisadores alertam que é urgente a abordagem do tema em políticas públicas e o investimentos no trabalho das equipes das defesas civis estaduais e municipais para a confirmação de informações mais precisas e detalhadas sobre as ocorrências.

Leia também: Chuvas em MG: estado tem o período mais letal dos últimos 20 anos

Em fevereiro, diversas cidades de Minas Gerais foram afetadas pelas chuvas. Durante dias, pessoas ficaram desabrigadas e muitas perderam suas casas em decorrência de deslizamentos de terra e/ou enchentes. Mais de 70 pessoas morreram e 3.500 pessoas ficaram sem suas residências em Ubá e Juiz de Fora.

*Sob supervisão de AR.



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