Nem o calor trava a tradição. Eiras volta a reviver o histórico Cortejo do Imperador – Notícias de Coimbra – NDC
As tamancas bateram no alcatrão, os cânticos ecoaram pelas ruas e a bandeira do Espírito Santo voltou a abrir caminho rumo a Santo António dos Olivais. Nem o calor que se fez sentir ao longo da manhã deste domingo, 31 de maio, foi capaz de travar uma das tradições mais emblemáticas: o Cortejo do Imperador de Eiras.
A celebração, profundamente enraizada na identidade de Eiras e São Paulo de Frades, reuniu vários participantes, entre grupos folclóricos, populares trajados a rigor, cavaleiros e famílias inteiras que fizeram questão de manter viva uma tradição que atravessa gerações.
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Depois da missa e da coroação do Imperador na Igreja Matriz de Eiras, um dos momentos mais aguardados aconteceu no Terreiro da Fonte, com a simbólica libertação do preso e das pombas. Seguiu-se a longa caminhada até Santo António dos Olivais, numa romaria marcada pela música, pelo convívio e pelas várias paragens ao longo do percurso.
“Manter os nossos costumes, as nossas memórias, manter uma tradição é sempre valorizar”, sublinhou o presidente da União das Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades. “Apesar do calor e do esforço, os grupos continuam a acompanhar-nos e a ajudar-nos a manter vivas estas tradições.”
Pelo caminho, não faltaram os aplausos dos moradores que já conhecem os locais habituais de paragem do cortejo. No Ingote, por exemplo, muitos aguardavam a passagem dos participantes para lhes dar força antes da subida seguinte.
“Já toda a gente sabe onde é que paramos. Normalmente é depois de uma grande subida e, como está calor, paramos sempre por aqui”, explicou o autarca, destacando também o apoio das freguesias vizinhas e das entidades que ajudam a preservar esta tradição secular.
Entre os protagonistas do dia esteve Bernardo Estanqueiro, de 26 anos, que assumiu pelo terceiro ano consecutivo o papel de Imperador. Um desafio que, garante, aceitou sem hesitar.
“Foi uma decisão fácil de tomar, foi um sim imediato. E sendo já a terceira vez, mais fácil foi”, contou ao longo do percurso.
Para o jovem imperador, o momento mais marcante continua a ser a chegada ao Mosteiro de Celas, considerado o ponto alto da romaria.
“A chegada ao Mosteiro de Celas é o grande momento do cortejo”, afirmou.
Mas mais importante do que o simbolismo do cargo é o significado que esta tradição continua a ter para a comunidade.
“É não deixar cair as tradições. É podermos manter vivas estas memórias de ano para ano. Acho que é isso que faz tanta gente vir de Eiras até aos Olivais a pé”, explicou.
A jornada, que atravessa várias zonas da cidade, continua a ser um verdadeiro exercício de resistência, sobretudo para quem participa vestido com os tradicionais trajes da festa. Ainda assim, ninguém parece disposto a abdicar da experiência.
“Temos muita gente nova a aderir a esta romaria e assim não se vai perdendo esta tradição”, destacou o presidente da União das Freguesias.
Após a receção ao Imperador no Mosteiro de Celas, os participantes seguiram para o Largo dos Olivais, onde se realizou o habitual almoço partilhado e uma tarde animada por atuações da Marcha Popular de Eiras, do Grupo Etnográfico do Brinca, do Grupo de Gaiteiros Amigos do Mondego e do Grupo Folclórico e Etnográfico de Cova do Ouro e Serra da Rocha.
O regresso a Eiras acontece durante a tarde, culminando com o tradicional Bodo do Imperador, encerrando mais uma edição de uma celebração que continua a provar que algumas tradições não envelhecem — apenas ganham novas gerações dispostas a carregá-las para o futuro.
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