Milei protagoniza ópera-bufa em território nacional – 27/07/2026 – Opinião
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou no sábado (25) do que parece ser uma das ocupações favoritas de sua família: atuar contra a soberania e o interesse nacional.
É conhecido o histórico do clã nesse departamento. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu embaixadores estrangeiros para proferir mentiras sobre o sistema eleitoral do país. Em 2025, Eduardo Bolsonaro, à época deputado federal pelo PL-SP, celebrou o tarifaço americano que afetou produtos do Brasil.
Flávio não tinha ficado atrás. No começo deste ano, coube a ele estimular o governo dos EUA a classificar facções criminosas brasileiras como terroristas, em uma medida repleta de riscos de intervenções arbitrárias.
Agora, na convenção partidária que o oficializou como candidato à Presidência da República, o senador abriu espaço para que Javier Milei, presidente da Argentina, desferisse uma série de impropérios contra o Brasil.
Durante quase meia hora de discurso virulento, Milei criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca” —o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não permitiu que o argentino se encontrasse com Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.
Os insultos logo tiveram resposta: o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestarem esclarecimentos. Na linguagem da diplomacia, a iniciativa demonstra forte insatisfação entre as nações.
E não por acaso. Embora o próprio Lula tenha apoiado candidatos em outros países —esteve em campanha de Hugo Chávez na Venezuela, endossou Kamala Harris nos EUA e visitou Cristina Kirchner em prisão domiciliar na Argentina—, Milei deu um passo que parecia impensável.
O argentino atravessou a fronteira e, na condição de chefe estrangeiro, protagonizou uma participação bufa e insultuosa em ato formal de um partido político brasileiro. Com seus vitupérios ridicularizou-se e agrediu as relações internacionais; com sua presença na convenção, realizou clara interferência no país vizinho.
Do ponto de vista eleitoral, o episódio há de render poucos frutos a quem quer que seja. E, mesmo sob uma perspectiva binacional, é pouco provável que o governo Lula queira levar o caso além das reações simbólicas.
Mas, no plano dos símbolos, Flávio e Milei evidenciaram que põem suas agendas pessoais muito acima dos interesses de seus respectivos países.
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