Mendonça afasta diretor da PF usando precedentes de Alexandre de Moraes

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, o afastamento imediato do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A medida fundamenta-se na ilegalidade de monitoramentos realizados pela corporação, utilizando como base jurídica precedentes do próprio Alexandre de Moraes.
Quais foram os principais motivos para o afastamento da cúpula da Polícia Federal?
A decisão baseou-se na identificação de atividades ilegais de monitoramento conduzidas pela inteligência da Polícia Federal. André Mendonça apontou que a corporação produziu relatórios que tentavam deduzir motivações pessoais e políticas por trás de decisões judiciais e da conduta de autoridades. Segundo o ministro, essa prática configura um desvio de finalidade, pois os órgãos de inteligência não possuem autorização legal para classificar ou fichar cidadãos com o objetivo de punição ou perseguição política, devendo limitar-se exclusivamente à segurança pública e do Estado.
Como André Mendonça utilizou decisões de Alexandre de Moraes em seu argumento?
O ministro utilizou uma técnica jurídica de citar o histórico de decisões de seus pares para validar sua própria medida. Mendonça relembrou o julgamento da ADPF 722, relatada por Cármen Lúcia, na qual Alexandre de Moraes afirmou enfaticamente que nenhum órgão tem permissão para ‘bisbilhotar’ ou estabelecer classificações sobre cidadãos. Ao usar as palavras de Moraes contra a atuação atual da PF, Mendonça reforçou que relatórios de inteligência servem apenas para orientação estratégica e jamais para perseguições, expondo uma contradição entre os precedentes do STF e as ações da polícia.
Quais outros casos históricos foram citados como precedentes para essa liminar?
Para justificar que ocupantes de altos cargos podem ser afastados preventivamente em situações excepcionais, Mendonça citou casos emblemáticos. Lembrou quando Moraes afastou o governador Ibaneis Rocha após os atos de 8 de janeiro e o então presidente do Ibama, Eduardo Bim, durante investigações sobre madeira ilegal. Outra citação importante envolveu o plenário do STF referendando uma liminar de Teori Zavascki que afastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Esses exemplos serviram para demonstrar que a autonomia dos cargos não é ilimitada e todos estão submetidos ao controle da Constituição.
Qual foi a relação feita entre o cenário atual e a literatura de George Orwell?
André Mendonça estabeleceu um paralelo crítico com o livro 1984, de George Orwell, descrevendo o quadro atual como uma distopia de vigilância permanente. Ele comparou a atuação da PF e a ciência prévia dada a Alexandre de Moraes sobre relatórios de inteligência à figura do ‘Grande Irmão’, que no livro simboliza o controle total do Estado sobre as informações e pensamentos dos indivíduos. O ministro classificou a divulgação posterior desse material e o monitoramento de autoridades como fatos de extrema gravidade que ameaçam o regime democrático e a liberdade.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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