MAI. Histórico de imagens de satélite nunca mostra tanque – Observador

Até 2024, data em que Luís Neves comprou a atual propriedade em São Teotónio, no Alentejo, não havia no terreno de 4250 metros quadrados qualquer piscina — ou “tanque”, como classificou o ministro da Administração Interna, segundo o histórico de imagens de satélite do local, analisado pelo Expresso.
A construção só aparece na propriedade depois das obras que colocaram o ministro sob escrutínio nos últimos dias, escreve o semanário, contrariando a interpretação de que as palavras de Luís Neves (a referência a um tanque e não a uma piscina) remetiam para uma estrutura mais antiga, como um reservatório com fins agrícolas.
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Além disso, segundo a Planta de Ordenamento do Plano Diretor Municipal (PDM), disponibilizada online pelo departamento de urbanismo da Câmara Municipal de Odemira e consultada pelo Expresso, a piscina/tanque foi construída numa área registada como Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN). A autarquia não confirmou a classificação disponível online ao semanário, mas caso esteja corretamente classificada, isto dificulta a construção de estruturas novas na propriedade.
Segundo o PDM de Odemira, a construção nestes terrenos só é possível ao abrigo de três exceções: obras para fins agrícolas, empreendimentos turísticos e residências de proprietários que sejam agricultores. Não sendo o caso, a construção da piscina teria de ser sujeita a um longo processo de apreciação pelas autoridades municipais.
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O caso do monte alentejano de Luís Neves surgiu depois de uma notícia do semanário Nascer do Sol na passada sexta-feira, sobre o facto de Luís Neves ter contratado uma empresa chamada Construbarcelos — sociedade unipessoal do empreiteiro João Carvalho — para realizar obras de renovação num imóvel em São Teotónio, no concelho de Odemira. A mesma empresa trabalhou para a Polícia Judiciária enquanto Luís Neves estava à frente da PJ. No seguimento da notícia, foram avançadas as informações relativas à construção da piscina e à falta de licenciamento camarário sobre essa infraestrutura.
