Autoritarismo: Trump enquadra grupos de esquerda como ameaça à segurança nacional
00:00
A+
A-
- Governo dos EUA, sob Donald Trump, anunciou em Washington, 16 de julho, que grupos de esquerda passarão a integrar a lista de prioridades do contraterrorismo.
- A proposta foi apresentada na conferência internacional conduzida pelo secretário de Estado Marco Rubio, com participação de mais de 60 países.
- Rubio defendeu a criação de mecanismos globais para identificar integrantes, rastrear recursos e trocar informações sobre essas organizações.
- Brasil foi convidado, mas o Ministério das Relações Exteriores não enviou representante; a medida segue a inclusão de quatro grupos europeus na lista de terror estrangeiro desde novembro.
O governo Donald Trump abriu uma nova frente em sua política de segurança ao colocar organizações de esquerda entre as prioridades do contraterrorismo dos Estados Unidos.
A estratégia foi apresentada nesta quinta-feira (16), em Washington, durante uma conferência com representantes de mais de 60 países. O encontro foi conduzido pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, governos teriam concentrado esforços durante anos no combate a grupos islâmicos e deixado em segundo plano episódios de violência atribuídos à esquerda.
Rubio defendeu a criação de mecanismos internacionais para localizar integrantes, rastrear recursos e trocar informações sobre organizações consideradas violentas por Washington.
O Brasil foi convidado para o evento, mas o Ministério das Relações Exteriores decidiu não enviar representante.
A iniciativa amplia uma política já adotada pelo governo Trump. Desde novembro, quatro grupos europeus foram incluídos pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas estrangeiras. A classificação permite aplicar sanções, bloquear recursos e oferecer recompensas por informações.
Durante o discurso, Rubio também associou grupos de esquerda a governos adversários dos Estados Unidos. Citou Cuba, o Irã e aliados de Teerã, mas não apresentou documentos ou provas que sustentassem as acusações.
O secretário afirmou que um novo encontro deverá ser realizado na Alemanha para ampliar a cooperação entre os países envolvidos.
A ofensiva provoca preocupação entre entidades de defesa das liberdades civis. O temor é que conceitos amplos como “extrema esquerda” e “terrorismo político” sejam usados para enquadrar movimentos sociais, protestos ou adversários do governo.
