Leilão de energia privilegia fósseis e desrespeita compromissos da COP30, alertam especialistas
O Leilão de Reserva de Capacidade de Energia Elétrica (LRCap) ignorou as energias renováveis e privilegiou a compra de energia de fontes fósseis, como as termoelétricas. Em artigo publicado no portal Uol, o climatologista Carlos Nobre aponta como essa decisão compromete a política climática no Brasil e pondera como a energia renovável, além de melhor para o meio ambiente, tem custo mais baixo e geraria mais empregos.
Durante a 30ª Conferência do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), no ano passado, um dos compromissos foi a criação do Mapa do Caminho para a transição energética. O leilão vai exatamente no extremo oposto do pacto acordado.
O geógrafo Wagner Ribeiro, colunista do Brasil de Fato e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), concorda com os apontamentos do especialista e avalia que, no longo prazo, o que vai acontecer é o aumento da emissão de gases de efeito estufa e o agravamento das mudanças climáticas.
Ribeiro usa como exemplo de desastre climático os vendavais que atingiram alguns estados do Brasil na tarde desta quarta-feira (29).
“Estão sendo estimuladas ainda mais as emissões de gases de efeito estufa. A gente está vendo hoje, por exemplo, um dia com fortes rajadas de vento, chuvas intensas em parte do estado de São Paulo; no Rio Grande do Sul com tornado; enfim, uma série de consequências desse agravamento do aquecimento global. E esse padrão que o governo acabou adotando, infelizmente, contribui para que isso aumente”, aponta ao Conexão BdF.
Ribeiro destaca o papel das negociações com outros partidos da base na decisão e recorda que o Ministério de Minas e Energia nunca esteve nas mãos do PT neste mandato. “É lamentável, porque temos, sim, capacidade técnica de desenvolver baterias e muitas vezes usar esse modelo em vez de ficar estimulando o combustível fóssil. Isso é fruto de um governo de coalizão”, critica.
Wagner Ribeiro também avalia o impacto que o super El Niño poderá trazer para os sistemas de abastecimento de energia. “Vamos ter uma diminuição expressiva de chuva, especialmente na Amazônia brasileira. E se nós lembrarmos que na Amazônia nós temos, por exemplo, Tucuruí, Belo Monte, entre outras, estamos falando de grandes usinas hidrelétricas, que têm um papel destacado na produção de energia na escala brasileira. É bom lembrar também que o sistema brasileiro é integrado, então não importa se a energia é gerada no Rio Grande do Sul, na Amazônia, no estado de São Paulo: ela é depois distribuída para todo o país. Então é, de fato, muito preocupante”, aponta.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
