Governo tenta ampliar isenções e destina R$ 130 milhões para exportações
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, anunciou nesta sexta-feira (17) que o governo federal pretende ampliar a lista de produtos brasileiros isentos do novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos e investirá cerca de R$ 130 milhões para acelerar a diversificação das exportações.
A estratégia se dá por conta do impacto estimado de US$ 7,2 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano com as novas tarifas. A prioridade, diz Müller, é ampliar o número de produtos beneficiados pelas exceções já concedidas e fortalecer os setores que permaneceram livres da sobretaxa.
“Nós vamos seguir firmes no trabalho que já estamos fazendo nos Estados Unidos, apoiando empresas e entidades brasileiras junto a empresas e entidades americanas para aumentar as isenções”, afirmou em uma entrevista coletiva mais cedo.
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Entre os produtos que escaparam da tarifa adicional de 25% estão itens considerados estratégicos para a economia norte-americana ou que possuem pouca produção local, como carne bovina, café, suco de laranja, minérios, petróleo, medicamentos, aeronaves civis, entre outros.
“Vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos e, assim, elevar nossas exportações para os Estados Unidos nesses segmentos, especialmente os 85 produtos que entraram na lista de exceção”, declarou.
Além da negociação por novas isenções, a ApexBrasil aposta na abertura de novos mercados para reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação aos Estados Unidos. De acordo com Müller, o cenário internacional exige que empresas e países ampliem seus parceiros comerciais para enfrentar um ambiente de maior instabilidade.
A União Europeia aparece como prioridade na estratégia, impulsionada pelo acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu que está em vigência provisória desde maio. Países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), da Ásia Central e a China também estão entre os principais destinos avaliados pelos exportadores brasileiros.
Impactos no Brasil
Por outro lado, os impactos do tarifaço atingem principalmente os estados de São Paulo e Santa Catarina que respondem por 52% das exportações que não foram isentas pelo governo dos Estados Unidos. Müller citou que cerca de US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bilhões estimados correspondem aos produtos paulistas, enquanto que 68% das vendas catarinenses aos norte-americanos serão afetadas.
Apesar desse cenário, a ApexBrasil afirma que a diversificação das exportações já está em andamento entre as empresas apoiadas pelo órgão. De junho de 2025 a maio de 2026, 72% das 2,4mil empresas atendidas passaram a exportar para pelo menos um novo mercado, movimento que, segundo Müller, demonstra uma adaptação gradual do setor às mudanças no comércio internacional.
