Festival de Brasília abre 59ª edição com celebração ao cinema nacional e homenagem a Julia Lemmertz

Festival de Brasília abre 59ª edição com celebração ao cinema nacional e homenagem a Julia Lemmertz


O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro abriu sua 59ª edição nesta sexta feira (11/9), no Cine Brasília, com uma noite marcada por duas homenagens ao mesmo tempo: o reconhecimento à carreira da atriz Julia Lemmertz e a estreia do longa metragem “A Pele Morta”, dirigido pelos irmãos brasilienses Bruno Fatumbi Torres e Denise Moraes. Considerado o evento cinematográfico mais antigo do país em atividade contínua, o festival segue até o dia 19 de setembro reunindo dezenas de filmes, debates e atividades voltadas ao audiovisual nacional.

Julia Lemmertz recebeu o Troféu Candango de Conjunto da Obra, um dos reconhecimentos mais importantes concedidos pelo festival. Em entrevista ao Jornal de Brasília, a atriz falou sobre o momento de olhar para a própria trajetória ao ser homenageada.

xu 00607
Foto: Divulgação/FBCB

“É interessante analisar a própria trajetória em momentos como este, ao receber uma homenagem pela carreira. Prefiro manter o olhar voltado para o futuro. Não encaro isso como uma necessidade de superação, mas como uma forma de vivenciar intensamente o momento do cinema, do teatro e das transformações que ocorrem agora. O passado é valioso para a memória, mas deve permanecer em seu devido lugar”, disse Julia Lemmertz.

Sobre o recebimento do prêmio, a atriz resumiu a emoção da noite. “Foi maravilhoso. Este prêmio é muito especial e guardarei a lembrança desta homenagem com grande carinho em meu coração”, afirmou.

Como parte da celebração, o público também pôde rever “A Cor do Seu Destino” (1986), de Jorge Durán, filme que rendeu a Julia Lemmertz o Candango de Melhor Atriz Coadjuvante na época de seu lançamento e que chega recém restaurado a esta edição.

xu 00794
Foto: Divulgação/FBCB

“A Pele Morta” homenageia Geraldo Moraes

A abertura também trouxe a estreia de “A Pele Morta”, longa dirigido pelos irmãos Bruno Fatumbi Torres e Denise Moraes, filhos do cineasta Geraldo Moraes, nome histórico do audiovisual do Distrito Federal. O filme acompanha a jornada de um caminhoneiro uruguaio e um jovem indígena guarani kaiowá, e nasceu de um projeto que originalmente seria conduzido pelo próprio Geraldo.

“Sinto certa dificuldade em reconhecer este filme como uma obra estritamente minha. O projeto foi originalmente concebido para ser dirigido pelo nosso pai, Geraldo Moraes. Acredito que A Pele Morta dialoga mais profundamente com a filmografia de Geraldo do que com a minha própria trajetória. Conseguimos conferir ao filme a identidade dele por meio do exercício de interpretar como ele conduziria cada cena, contando também com a colaboração fundamental do diretor de fotografia, Antônio Luiz Mendes”, disse Fatumbi Torres  ao Jornal de Brasília.

O diretor destacou ainda o peso simbólico de estrear o filme justamente no Festival de Brasília. “Esta é, acima de tudo, uma forma de homenageá-lo em um momento histórico e em um cenário incontornável. O Festival de Brasília possui uma ligação profunda com a trajetória de Geraldo, que participou de inúmeras edições e estabeleceu um vínculo estreito com a cidade, inclusive como professor da UnB. Por essas razões, esta sessão especial possui um significado singular para nós”.

Denise Moraes, corresponsável pela direção, destacou o significado de abrir o festival com uma produção ligada à memória do pai e à cena local. “Abrir o festival com o nosso filme é uma imensa alegria e uma honra. Nosso pai era gaúcho, mas foi nesta cidade que ele consolidou sua trajetória e encontrou seu propósito no cinema, além de ter sido professor na Universidade de Brasília”, disse Denise ao JBr.

A diretora também associou a exibição a uma discussão mais ampla sobre o espaço das produções locais em festivais. “Acredito que esta exibição na abertura é uma oportunidade relevante para reafirmar a importância de valorizar as produções locais. É um contraponto necessário ao costume de privilegiar produções externas em festivais, permitindo nos refletir sobre as políticas públicas que fomentam o cinema da nossa cidade. Trata-se de um momento de celebração e de grande importância para todos nós”, completou.

Um festival com quase seis décadas de história

Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é considerado a mostra de cinema mais antiga em atividade contínua no país e um dos principais termômetros da produção audiovisual nacional. Ao longo de suas edições, o evento consolidou o Cine Brasília como palco de lançamentos, prêmios e homenagens a nomes centrais da história do cinema brasileiro, além de servir como vitrine para a produção realizada no Distrito Federal.

Nesta 59ª edição, a programação segue até o dia 19 de setembro com a Mostra Competitiva Nacional, a Mostra Brasília, sessões especiais, atividades de formação e de mercado, além de homenagens que mostram o compromisso do festival com a memória e a renovação do cinema nacional.



Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *