FDA aprova pílula que reduz colesterol; entenda – 16/07/2026 – Equilíbrio e Saúde

FDA aprova pílula que reduz colesterol; entenda – 16/07/2026 – Equilíbrio e Saúde


A FDA (Food and Drug Administration, a Anvisa dos EUA) aprovou nesta quinta-feira (16) uma pílula de uso diário que pode reduzir os níveis de colesterol muito abaixo do que é possível alcançar com estatinas, os medicamentos baratos para redução do colesterol.

O medicamento, enlicitida, cujo nome comercial é Lipfendra, é fabricado pela empresa farmacêutica Merck. Ensaios clínicos demonstraram que ele pode reduzir os níveis de LDL, o chamado colesterol ruim, para cerca de 50 ou 60 mg/dL, ou até menos. Adultos que não tomam medicamentos para reduzir o colesterol geralmente têm níveis acima de 100. O medicamento funciona inibindo uma proteína conhecida como PCSK9.

Novas diretrizes sobre colesterol da American Heart Association e do American College of Cardiology afirmam que pessoas com risco acima da média de ataques cardíacos ou derrames devem manter seus níveis de LDL abaixo de 70. Aqueles com alto risco porque, por exemplo, já tiveram um infarto, devem manter seu LDL abaixo de 55.

O preço de tabela do Lipfendra será de US$ 315 (cerca de R$ 1.612) para um suprimento de 30 dias, e estará disponível em algumas semanas nos Estados Unidos, disse uma porta-voz da Merck, Julia Cunningham.

Atualmente existem medicamentos injetáveis que funcionam da mesma forma, mas são mais caros, com preços de tabela de US$ 500 a US$ 600 (cerca de R$ 2.560 a R$ 3.070) por mês ou mais. As seguradoras às vezes resistem a pagar, e alguns pacientes não querem injeções.

Apenas 1% dos 6 milhões de pacientes elegíveis nos EUA usam os medicamentos injetáveis. No entanto, um inibidor de PCSK9 pode reduzir o risco de ataques cardíacos em 20% em pacientes de alto risco.

Cardiologistas não associados à Merck elogiaram a aprovação da FDA e o preço do medicamento. A esperança é que uma pílula que custa menos do que um injetável e é mais fácil de tomar permita que muito mais pacientes controlem seus níveis de colesterol.

“Estou muito feliz”, disse Christopher Cannon, cardiologista do Brigham and Women’s Hospital em Boston, que presta consultoria para várias empresas farmacêuticas, mas não para a Merck.

“Isso faria uma grande diferença em comparação com o custo dos inibidores de PCSK9 injetáveis”, disse David Maron, cardiologista preventivo em Stanford.

Em novembro passado, a Merck divulgou os resultados de um ensaio clínico de 24 semanas do Lipfendra, que envolveu 2.912 pessoas. O medicamento reduziu os níveis de LDL em até 60%. E não houve diferença nos efeitos colaterais entre o medicamento e um placebo. Esses resultados são os mesmos observados com os medicamentos injetáveis.

Em estudos com os medicamentos injetáveis, o bloqueio do PCSK9 reduziu a incidência de ataques cardíacos, derrames e mortes cardiovasculares em 20% em pessoas de alto risco. A Merck está conduzindo um estudo agora para verificar se o Lipfendra tem o mesmo efeito. Dean Li, presidente dos Laboratórios de Pesquisa da Merck, disse estar confiante de que terá.

Li disse que a empresa quer tornar a redução do colesterol com Lipfendra tão fácil e conveniente quanto é com uma estatina. Médicos de atenção primária podem prescrevê-lo —não precisa ser limitado a cardiologistas. E, ele disse, os pacientes estão acostumados a tomar pílulas diárias. A maioria dos que estão em risco de ataque cardíaco já toma pelo menos um medicamento para pressão arterial, uma estatina e uma aspirina.

Ainda não está claro se as empresas que fabricam inibidores de PCSK9 injetáveis reduzirão seus preços para competir.



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