Expansão das redes de gás contrária transição energética – Observador

O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) alertou esta segunda-feira que os planos de expansão das redes de gás, em consulta pública, contrariam a transição energética, e pede o chumbo das propostas.
Os planos de desenvolvimento e investimento nas redes de distribuição de gás para 2027-2031 “contrariam a trajetória de eletrificação e descarbonização assumida por Portugal e pela União Europeia” (UE), diz o grupo ambientalista em comunicado.
A consulta pública terminou esta segunda-feira e o GEOTA pede à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) que “emita parecer desfavorável”, ao Governo que substitua a expansão das redes de gás por uma “estratégia nacional coerente com os objetivos de descarbonização, reforçando o investimento na eficiência energética, na eletrificação e nas energias renováveis”.
Em junho a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos colocou em consulta pública os planos das 11 operadoras, que querem investir 406,8 milhões de euros entre 2027 e 2031, dos quais 249,9 milhões de euros para expansão e densificação das redes, criando 113 mil novas ligações.
“Não é coerente investir em mais de cem mil novas ligações de gás quando a política energética europeia aponta para uma meta de 46% de eletrificação do consumo final até 2040 e quando o próprio Governo português aposta na eletrificação das habitações”, diz, citado no comunicado, Miguel Macias Sequeira, vice-presidente do GEOTA.
Segundo Miguel Macias Sequeira, que é também investigador em energia e clima no Centro de Pesquisa Ambiental e de Sustentabilidade da Universidade Nova – CENSE NOVA-FCT, “esta expansão prende novos consumidores a uma infraestrutura fóssil durante décadas e cria o risco de estes investimentos perderem utilidade muito antes do fim da sua vida económica”.
O GEOTA critica que se prolongue o uso de gás em edifícios onde já existem alternativas elétricas mais eficientes, como as bombas de calor, e alerta que expandir uma infraestrutura cuja utilização tenderá a diminuir aumenta o risco de ativos encalhados e de uma “espiral tarifária”, em que custos fixos cada vez mais elevados são repartidos por um número cada vez menor de consumidores.
Segundo a organização ambientalista, a estratégia proposta agrava também a vulnerabilidade energética de Portugal.
O GEOTA reconhece o potencial do biometano, mas avisa que a produção estimada de 9,1% do consumo de gás em 2030 “não justifica a expansão generalizada das redes”.
No comunicado diz ainda defender a criação de um plano nacional, territorialmente diferenciado e socialmente justo para a manutenção e desativação progressiva das redes de gás.
