Estreia nos cinemas filme que resgata a história e a essência do Grenal

Estreia nos cinemas filme que resgata a história e a essência do Grenal


A maior rivalidade do Brasil. Uma revista britânica, certa vez, a colocou em oitavo lugar no ranking do planeta. Com o documentário que chega às telas nesta quinta-feira (17), Belisario Franca, Tatiana Sager e Renato Dornelles o definem como “o Maior Clássico das Américas.

Dentro de campo, o momento não é nada bom para nenhum dos lados. Dentro dos cinemas, a paixão clubística, que envolve tradição, legado e identidade, ainda tem o potencial de transformar a plateia em arquibancada. 

Extremamente preocupado com os fatos e com o equilíbrio entre azul e vermelho em seus 84 minutos de duração (50% do tempo de tela para cada um), “Grenal: o Maior Clássico das Américas” estreia na rede GNC de Porto Alegre e Santa Catarina.

Produzido pela Giros Filmes e Panda Filmes, o documentário revisita mais de um século de confrontos entre Grêmio e Internacional, resgatando partidas marcantes, personagens emblemáticos e momentos que ajudaram a transformar o Grenal em um dos principais símbolos culturais e afetivos do Rio Grande do Sul. 

Além de ser uma história sobre futebol, o filme apresenta diferentes perspectivas sobre a rivalidade, a partir das memórias e experiências de quem viveu o clássico dentro e fora dos gramados. A produção reúne depoimentos de importantes personagens ligados ao Grenal, entre treinadores, ex-jogadores, dirigentes, árbitros, jornalistas e escritores como Abel Braga, Luiz Felipe Scolari, D’Alessandro, Paulo Nunes, Valdomiro, Ancheta, Fabiano, Joãozinho, Carlos Simon, Duda Garbi, Lauro Quadros, Léo Gerchmann, Luciano Potter, Marcelo Ferla, Pedro Ernesto Denardin, Paulo Vinícius Coelho e Juremir Machado da Silva, entre outros. 

Documentário revisita mais de um século de história das disputas entre Grêmio e Internacional
Documentário revisita mais de um século de história das disputas entre Grêmio e Internacional | Crédito: Giros Filmes

“Quando esse projeto começou a ser desenvolvido, eu busquei me aconselhar com o Beto Rodrigues, que é um companheiro de política audiovisual na Bravi (Brasil Audiovisual Independente). Nós já fomos conselheiros, então temos muita identidade em algumas das lutas que o audiovisual já teve e continua tendo aqui no Brasil”, conta Belisario, que é carioca, sobre o Produtor Associado local, que o apresentou à codiretora. “Tati foi uma ajuda preciosíssima, é uma pessoa sensível, entende do riscado. Renato Dornelles (direção adicional), evidentemente, é uma enciclopédia do futebol, amante também das boas histórias e ainda um habilíssimo condutor de entrevistas, com empatia.”

O filme tem Direção de Fotografia de Gabriel Sager e Montagem de Felipe David Rodrigues. O roteiro é assinado por Leo Garcia; a Trilha Sonora Original, por Pedro Tambellini. “O Leo hoje é um roteirista muito experiente, roteirista que também a gente já conhecia do Frapa, de toda a trajetória que ele tem realizado nos últimos anos. Foi uma indicação da minha sócia, Bianca Lenti”, relata o diretor.

“A questão do tempo está dentro do filme. Ele é rigorosamente equilibrado entre gremistas e colorados. Eu acho que, inclusive, isso faz parte de uma das graças que é o filme. É um filme que está contando a história desse clássico mais que secular e com esse grau de rigor. Então a gente também foi rigoroso nessa entrega, porque o mais importante aqui é o espírito desse jogo, que é esse ganha-ganha, desses clubes que já ganharam tudo, tudo que é possível um clube no Brasil ganhar, esses clubes já venceram”, analisa Belisario.

Entendendo melhor a “grenalização”

Rivalidade clubística é um dos principais símbolos culturais do Rio Grande do Sul
Rivalidade clubística é um dos principais símbolos culturais do Rio Grande do Sul | Crédito: Giros Filmes

O cineasta Belisario Franca diz, no entanto, que conversando com amigos do estado, descobriu que essa rivalidade estava entranhada na sociedade gaúcha como um traço identitário, e que era mais do que um jogo. “Investigando e pesquisando, a gente entendeu a profundidade do Grenal no dia a dia, na vida das famílias, nas gerações de torcedores, mas também de gaúchos em geral. Isso, me fez ficar interessado em contar essa história, que une futebol com cultura, com descobrir o que esse traço faz para, ao mesmo tempo, unir uma sociedade. Porque, na verdade, o jogo é um espelho. Tanto o Grêmio quanto o Internacional, embora sejam rivais, eles querem ser mais do que o outro. E a vitória de um faz com que o outro ambicione ser ainda melhor”, avalia.

Sobre o processo de trabalho, o realizador explica que, durante as gravações dos Grenais, havia duas equipes: a que ia para a torcida do Grêmio era gremista; a que ia para a torcida do Inter, de colorados. “Incluindo todos os técnicos e quem estava na direção, uma das pessoas que trabalhou com a gente também foi a Beca Furtado. Foi um dispositivo para a gente poder trazer isso de uma maneira integrada, pois nós tínhamos essa camada da torcida, de chegar perto dos torcedores. Essa questão empática que é você se aproximar de torcedores na Semana Grenal é outro elemento muito importante do filme, a semana preparatória ou que antecede ao Grenal.”

A conjuntura toda sobre a polarização entre azul e vermelho foi o principal motivo que interessou Belisario a se dedicar ao tema para desenvolver o documentário no estado. “E, talvez, o fato de eu não ser daqui do Rio Grande do Sul fez com que eu ficasse mais à vontade para poder enxergar detalhes ou ter mais liberdade para poder questionar algumas questões e não ficar tão apaixonado. Ver de um pouco de longe, mas, ao mesmo tempo, respeitando e admirando essa intensidade que o Grenal coloca no dia a dia dos gaúchos. Como torcedor, eu torço pelo tricolor. E, como você sabe, como já dizia o Nelson Rodrigues, só existe um tricolor, o Fluminense Futebol Clube”, finaliza, com uma provocação bem futebolística.





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