Erika Hilton aciona TCU contra Mario Frias por assessora – 14/05/2026 – Mônica Bergamo
A deputada federal Erika Hilton (PSOL) apresentou nesta quinta-feira (14) uma representação ao TCU (Tribunal de Contas da União) contra o deputado Mario Frias após revelações de que uma assessora de seu gabinete trabalhou na produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto recebia salário da Câmara dos Deputados.
A ação foi protocolada após reportagem do portal Metrópoles mostrar que Rareska Metsker, lotada como secretária parlamentar do gabinete de Frias, atuou por ao menos sete semanas nas gravações do longa, entre outubro e novembro de 2025.
Segundo a representação, ela divulgava nas redes sociais sua participação na equipe responsável pelo making of do filme, registrando bastidores das filmagens —as imagens foram apagadas e a conta privada após ser questionada pela matéria.
No documento enviado ao TCU, Hilton afirma que a “dedicação ao projeto cinematográfico privado era contínua, documentada e de conhecimento do gabinete”. Ela também sustenta que a exclusão posterior das postagens das redes sociais, após questionamentos da imprensa, seria “forte indício relevante de consciência da irregularidade praticada”.
Procurado sobre a representação e sobre Rareska, Mario Frias não retornou contato da coluna.
A deputada pede a abertura de investigação sobre possível desvio funcional e solicita que Frias seja condenado a ressarcir R$ 174 mil aos cofres públicos —valor correspondente aos salários e benefícios pagos à assessora desde sua nomeação.
A representação afirma ainda que o deputado, na condição de responsável pelo gabinete, “pode ter concorrido para a irregularidade ao permitir que sua assessora dedicasse sete semanas a projeto privado de sua conveniência política durante período de percepção de remuneração pública”.
O caso amplia a pressão sobre “Dark Horse”, que já vinha sendo alvo de questionamentos após reportagem do The Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 61 milhões e pediu mais recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar o longa.
Produtor executivo do longa, Frias divulgou nota na quarta-feira (13) negando irregularidades no financiamento da obra e afirmando que o projeto foi realizado com “100% de capital privado”. Ele também declarou que o senador Flávio Bolsonaro não possui participação societária no filme e que sua atuação se limitou à cessão dos direitos de imagem da família Bolsonaro e à atração de investidores.
A produção é estrelada pelo ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em The Passion of the Christ, e dirigida pelo cineasta Cyrus Nowrasteh.
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