Enquanto o jogo não vira, a locomotiva solta-se nos Alpes – Observador

Na terra que tem sido dominada pelos belgas, ganhou um… belga. Depois do contrarrelógio, a normalidade voltou a imperar numa etapa que foi tudo menos normal, mas que terminou com Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) a vencer pela primeira vez nesta 113.ª edição da Volta a França. Antes do triunfo do disaster ao sprint, com direito a lançamento de sonho de Mathieu van der Poel, o líder Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) escapou por pouco a mais uma queda, Isaac del Toro (Emirates) chegou a perder o contacto com o grupo principal e Adam Yates (Emirates) passou mal devido a problemas no estômago e teve de ser “rebocado” por Tim Wellens. No meio das dificuldades de uma Emirates que, até aqui, tinha dominado a corrida, os sprinters atacaram e a fuga voltou a vingar.
Jasper, o novo duque belga que foi à terra dos monges preservar o secretismo: Philipsen estreia-se a ganhar após lançamento de Van der Poel
“Não conseguia encontrar-me, nem ao feeling que esperava. Após 17 etapas, conseguir a vitória… Esta é para a equipa, que continuou a acreditar em mim. Estava desiludido comigo e zangado por não conseguir ganhar e a equipa teve de lidar com isso. Tem sido difícil lidar com a pressão da equipa. Ninguém diz nada. Se eu não ganhar, não é como se me fossem matar, mas todos sabem qual é o nosso objetivo aqui. Temos uma equipa de apoio completa, estamos aqui para conquistar vitórias de etapa e há sempre expectativas. O Tour de France está em todo o lado e só se fala do Tour. Se não tiver a sensação de que consigo dar o meu melhor, isso aumenta a pressão sobre mim, o que é difícil de lidar. As próximas etapas são muito duras, mas vou continuar a lutar até Paris”, explicou Philipsen.
“Foi exatamente como imaginei. Estou feliz pelo Jasper Philipsen. Yates? Ontem [terça-feira] sofreu muito e hoje de manhã parecia muito melhor. Foi uma etapa muito difícil, mesmo para todos os que estão saudáveis. Quando ele ficou para trás do pelotão decidimos esperar com a equipa e levá-lo em segurança até ao final porque acho que há uma hipótese de ele recuperar e ficar bem para sexta-feira e sábado. Cada pequeno detalhe pode afetar e virar o jogo. É bom ter a liderança, claro, mas nunca sabes quando isso vai virar”, assumiu Pogacar.
⛰️ We’re back in Orcières-Merlette, 6 years after the last Tour stage finish!
⛰️ 6 ans après la dernière arrivée, retour à Orcières-Merlette !#TDF2026 pic.twitter.com/UG88O79sok
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Esta quinta-feira ficou marcada pelo regresso da montanha e das chegadas em alto, que perdurarão até domingo, ainda que a passagem por Montmartre deva ser suficiente para provocar mais uma chegada seletiva. Com partida em Voiron e chegada, 185,2 quilómetros depois, em Orcières-Merlette, que voltou a receber uma chegada da Volta a França seis anos depois, a 18.ª etapa contava com quase quatro mil metros de desnível positivo acumulado. Depois de cerca de 20 quilómetros acessíveis, a Côte d’Engins (11,4 km a 5,4%) era a primeira dificuldade, surgindo a meio de um topo com quase 30 quilómetros de subida. Depois, Côte de Monteynard (9,9 km a 5%) e Côte des Terrases (3,3 km a 6,6%) seriam mais acessíveis e, já na subida final, a Côte de Saint-Léger-les-Mélèzes (2,5 km a 6,7%) prometia abrir as hostilidades. Seguia-se uma curta descida até ao início da subida para Orcières-Merlette (7,1 km a 6,7%), que tinha rampas até aos 8,2%.
A partida real foi dada com um ligeiro atraso por conta de um problema mecânico sofrido por Milan Fretin (Cofidis), mas contou com múltiplos ataques e mais dificuldades à vista na Emirates, já que Brandon McNulty e Wellens quebraram nos primeiros 25 quilómetros e integraram cedo o grupetto, juntamente com Florian Vermeersch. Na frente formou-se um grupo com 14 ciclistas, que depois ganhou a perseguição de mais 28. Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), que subiu virtualmente ao top 10, e Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step) aproveitaram para ganhar pontos na classificação da montanha, ao passo que Mads Pedersen (Lidl-Trek) venceu o sprint intermédio. Já depois de ter perdido o contacto com o grupo mais numeroso e de ficar na companhia do carro vassoura, McNulty retirou-se da prova, ao passo que Adam Yates (Emirates) também perdeu o contacto com o pelotão antes da fase final.
❗Pogacar pierde a McNulty
El americano, afectado por el virus que está golpeando al UAE, abandona la carrera en la 18ª etapa.#TDF2026 pic.twitter.com/q3u5NgBr2W
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A subida final chegou com Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike), Carapaz, Paret-Peintre, Mauro Schmid (Jayco AlUla), Tobias Halland Johannessen (Uno-X Mobility) e Raúl García Pierna (Movistar) na dianteira e com vantagem suficiente para discutirem a vitória na etapa. O primeiro ataque pertenceu ao equatoriano, que precisou de uma segunda tentativa para se isolar, a 3,5 quilómetros do alto, depois de o francês ter fechado o espaço. Jorgenson e Schmid ainda tentaram organizar-se na perseguição, mas o ritmo da locomotiva do Carchi manteve-se mais alto até ao fim, com Richard Carapaz a regressar às vitórias mais de um ano depois de ter vencido a 11.ª etapa da Volta a Itália. Este foi também o segundo triunfo de Carapaz no Tour, depois de, em 2024, se ter tornado no primeiro equatoriano a levantar os braços na Grande Boucle e o 25.º da sua carreira. No sprint pelo segundo lugar, Schmid levou a melhor frente a Jorgenson.
EL QUE NUNCA FALLA.
UN CAZADOR DE PIEZAS MAYORES.???????????????????????????? ???????????????????????????? ???????????????????????????????????????? se impone en Orcières-Merlette, escenario de la gesta de Luis Ocaña ante Eddy Merckx hace 55 años.#TDF2026 #LaCasaldeCiclismo pic.twitter.com/wbQNSTl248
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Com o pelotão a terminar a 4.35 minutos, Carapaz subiu ao décimo lugar, a 21 minutos de Tadej Pogacar, que continua com 4.32 face a Remco Evenepoel (Red Bull) e 6.51 face a Isaac del Toro. A montanha continua a ser liderada pelo esloveno, mas agora por apenas um ponto, já que Valentin Paret-Peintre precisava de terminar nos dois primeiros lugares da etapa (70-69). O equatoriano também entra nestas contas, posicionando-se no terceiro lugar, com 63 pontos. Na classificação dos pontos, Pedersen aumentou a vantagem para Jasper Philipsen (477-445).
