Elize Matsunaga: apartamento do crime é colocado à venda – 29/07/2026 – Cotidiano
A cobertura onde Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, foi colocada à venda por R$ 2,8 milhões.
O apartamento está desocupado desde a época do crime, em maio de 2012. Segundo vizinhos, algumas pessoas apareceram para limpar o lugar nos últimos anos, mas não houve outro morador. A família da vítima, o empresário Marcos Matsunaga, é a responsável pelo imóvel.
Foi no apartamento de alto padrão que Elize atirou contra o empresário e o esquartejou. Depois, ela desceu pelo elevador de serviço com malas em que carregava partes do corpo dele. Após o crime, ela chegou a ficar alguns dias na cobertura com a filha pequena, mas logo foi presa. A criança ficou sob os cuidados da família paterna, responsável pela jovem até hoje.
O imóvel em que o casal morava abrange duas coberturas, que foram compradas por Marcos Matsunaga e reformadas para que se tornassem um único imóvel. Um desses apartamentos estava em nome de Elize, que perdeu o direito após decisão judicial depois do crime. Desde então, os pais do empresário ficaram responsáveis pela propriedade.
A reportagem tentou contato com a defesa da família Matsunaga, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
O anúncio da venda do imóvel surge após o fim de imbróglios judiciais referentes ao lugar. No edifício, vizinhos costumavam comentar sobre a propriedade, porém o destino do local era incerto. “Mas não há nenhuma inadimplência deles”, disse uma vizinha, em reportagem recente da Folha.
A cobertura tríplex de 340 metros quadrados tem sido anunciada em algumas imobiliárias. O apartamento, segundo essas páginas, tem cinco suítes e quatro vagas na garagem. Nas imagens do imóvel, é possível ver que ele tem, entre outras áreas, piscina privativa e um espaço para churrascos na cobertura em meio à vista de São Paulo.
Um dos pontos destacados na divulgação é a localização do imóvel, perto do parque Villa-Lobos.
“Este apartamento em São Paulo é uma escolha excepcional para quem busca qualidade de vida, conforto e conveniência em uma das cidades mais dinâmicas do Brasil”, diz o texto.
O apartamento de alto padrão tem condomínio de R$ 6.087 mensais. Além disso, o IPTU custa R$ 19,3 mil por ano, parcelados em 12 vezes.
Valor poderia ser maior, diz corretor
Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que o imóvel está com valor abaixo do mercado. Isso já era esperado como uma tentativa de atrair compradores, em meio ao estigma trazido pelo crime de grande repercussão.
“É um imóvel bem conservado, pelas fotos disponibilizadas, e de alto padrão. Então, o valor para aquela região poderia ser maior”, avalia o presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo), José Augusto Viana Neto.
Neto afirma que os corretores têm a obrigação de informar a possíveis compradores sobre o crime que ocorreu no lugar. “Se a pessoa comprar sem saber disso e esse for um fato relevante para ela, ela pode até pedir indenização por danos morais.”
O presidente do Creci-SP diz que muitas pessoas podem desistir da compra ao saber do crime. No entanto, afirma que há um público específico que pode se interessar pelo lugar. “Talvez estrangeiros ou investidores não se importem com esse fato”, diz à Folha.
Prédio tirou nome na fachada
A cobertura tríplex em que ocorreu o crime está localizada no topo do edifício Roma. Há duas semanas, a Folha mostrou que o prédio ficou sem nome na fachada pouco depois do crime, após passar por uma reforma. Para pessoas que vivem na região, foi uma forma de tentar reduzir o estigma atribuído ao lugar. Responsáveis pelo prédio não responderam aos questionamentos da reportagem na época.
O crime é um caso difícil de ser desassociado à cobertura, principalmente por conta da intensa repercussão que tem até os dias de hoje.
O caso da mulher que matou o marido já foi abordado em livro, documentário, série e, neste mês, virou tema de um novo filme da Netflix, “Elize: Sombras de Uma Mulher”, que estreou no último dia 22.
Elize foi condenada em 2016 pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena chegava a quase 19 anos de prisão. Em maio de 2019, ela obteve na Justiça a redução de sua pena em dois anos e seis meses. Na época, a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) aceitou um pedido da defesa. Desde 2022, ela está em liberdade condicional.
