Economia da Argentina de Milei cai substancialmente em fevereiro

Economia da Argentina de Milei cai substancialmente em fevereiro


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  • A economia da Argentina, sob o governo de Javier Milei, recuou 2,1 % em fevereiro de 2026 na comparação anual, o pior resultado desde 2024.
  • O declínio foi impulsionado pela fraqueza do consumo, afetado pela alta inflação que reduz o poder de compra da população.
  • A produção industrial manufatureira caiu 8,7 % em fevereiro, acumulando 6 % de retração nos dois primeiros meses, segundo o INDEC.
  • Quatorze das 16 divisões industriais registraram queda, com maiores quedas em equipamentos elétricos (-24,6 %), automóveis (-24 %) e têxteis/calçados (-22,6 %).

A economia argentina contraiu 2,1% em fevereiro de 2026 na comparação anual, no pior resultado desde 2024, segundo dados oficiais.

O indicador, que funciona como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), aprofunda o cenário de recessão no início do ano e sinaliza que a atividade segue enfraquecida após um 2025 já marcado por retração sob o regime de Javier Milei.

O recuo é puxado pela fraqueza do consumo e pela contração industrial. O comércio varejista, termômetro da demanda doméstica, segue pressionado pela perda de poder de compra da população. A inflação elevada — ainda entre as mais altas do mundo mesmo após dois anos de reajuste — corrói salários e reduz a demanda interna.

A produção industrial manufatureira, por sua vez, caiu 8,7% em fevereiro na comparação interanual, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).

No acumulado do primeiro bimestre, a retração já alcança 6%. Das 16 divisões industriais monitoradas, 14 registraram queda no período. Os recuos mais acentuados ocorreram em equipamentos e aparelhos elétricos (-24,6%), automotores (-24%) e têxteis e calçados (-22,6%).

Um relatório divulgado nesta semana pelo Instituto de Pensamento e Políticas Públicas (IPyPP) aponta que parte da deterioração industrial está associada à substituição de produção local por importados.

Segundo o levantamento, desde 2023 as importações de bens de consumo cresceram 44% e as de veículos subiram 207%. O estudo avalia que o aumento está concentrado em mercadorias destinadas diretamente ao varejo, não em equipamentos para modernizar a capacidade produtiva.

O caso mais emblemático citado no documento é o da Whirlpool, que em novembro de 2025 encerrou as operações de sua fábrica em Pilar, na província de Buenos Aires, demitindo cerca de 300 trabalhadores. A empresa seguiu operando comercialmente no país: as importações de máquinas de lavar saltaram de 29 mil unidades em 2023 para 67 mil em 2025, enquanto as aquisições de peças para produção local caíram de aproximadamente 16 milhões de pesos para praticamente zero nos primeiros meses de 2026.

Em 10 de abril, o presidente Javier Milei reconheceu publicamente que os meses recentes “foram duros” e pediu paciência à população.




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