Dark Horse: filme de Bolsonaro bancado por Vorcaro pode não chegar aos cinemas
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- “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, foi financiada com R$ 61 mi por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude bancária.
- A Paris Filmes, grande distribuidora brasileira e latino‑americana, recusou distribuir o filme.
- A produtora GoUp segue em negociações com outras distribuidoras para viabilizar o lançamento.
- Mesmo com a recusa, a estreia de “Dark Horse” está prevista para 5 de novembro nos cinemas.
“Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por liderar a maior fraude bancária da história do Brasil, corre o risco de não chegar aos cinemas brasileiros.
De acordo com informações do SBT News, uma das maiores distribuidoras de filmes do Brasil e da América Latina se recusou a distribuir a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A empresa recusou a proposta feita pela GoUp, produtora de “Dark Horse”.
Apesar da negativa da Paris Filmes, a GoUp declarou ao SBT News que segue em tratativas com outras distribuidoras e que, neste momento, “avalia a melhor alternativa para o lançamento do filme”.
Mesmo diante da dificuldade de encontrar uma distribuidora para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, a GoUp mantém a data de estreia de “Dark Horse” para 5 de novembro.
Flávio Bolsonaro e Vorcaro: Gonet quer André Mendonça relator da ação por Dark Horse
O Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet emitiu um parecer em que defende que André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), também seja responsável para analisar o pedido de abertura de investigação sobre as conexões entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.
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Ao apresentar a notícia-crime, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu que o caso sobre o suposto financiamento do filme Dark Horse por Vorcaro, com envio de ao menos 10 milhões de dólares ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA, ficasse sob relatoria de Alexandre de Moraes.
A solicitação foi que o caso fosse tratado como ampliação do processo que condenou Eduardo Bolsonaro por coação em sua conspiração contra o Brasil nos EUA. A suspeita é que os dólares enviados por Vorcaro financiam a vida de luxo e as investidas do filho “03” de Jair Bolsonaro contra o Brasil nos EUA.
Em seu parecer, Gonet afirma que “o episódio a que se refere a representação, entretanto, já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente Ministro André Mendonça”.
Diante da posição da PGR, Alexandre de Moraes determinou que o caso seja analisado pelo presidente da corte, Edson Fachin, que deve determinar quem será o relator do caso: ele ou Mendonça.
Celebração
O parecer de Gonet foi comemorado por Flávio Bolsonaro e os advogados que fazem a sua defesa. Mendonça foi o responsável por dar aval à ação da Polícia Federal (PF) contra o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, e tem feito movimentos para blindar o grupo político onde tem sua origem, especialmente o filho de Jair Bolsonaro, que o alçou à cadeira no Supremo.
Por parte dos governistas, o receio é que, na relatoria de mais um caso, Mendonça estenda a blindagem que já tem feito a Flávio Bolsonaro e aliados próximos no caso Master e também no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde faz dobradinha na relatoria dos casos representados pelo senador para censurar opositores.
No entanto, há uma leitura de que, ao herdar a relatoria do caso de Flávio Bolsonaro, a fervura deve aumentar sobre Mendonça. Ao menos uma das fontes ouvidas pela Fórum acredita que caso o ministro insista na blindagem, haveria motivos para pedir o afastamento dele do caso.
A posição é de que Mendonça faz parte do grupo político de Flávio Bolsonaro, foi um ministro fiel no governo Jair Bolsonaro e desenvolveu uma intimidade com grande parte dos investigados, como os ex-ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia “Arruda” Perez (Secretaria-geral da Presidência, casada atualmente com Augusto Lima), Ronaldo Bento e João Roma (Cidadania).
A questão também traria à tona a disputa dentro do próprio STF pela relatoria do caso, herdado por Mendonça após Dias Toffoli se julgar impedido pelas revelações do elo com o esquema Vorcaro. Na corte, são poucos os ministros que não têm relação direta com investigados ou com o próprio banqueiro, pivô do maior escândalo financeiro da atualidade.
