Conectividade muda história de populações isoladas – 07/06/2026 – Opinião

Conectividade muda história de populações isoladas – 07/06/2026 – Opinião


O planeta, recentemente, voltou a atenção para o voo da Artemis 2 em direção ao lado escuro da Lua. No noticiário, não faltou citação da frase histórica do norte-americano Neil Armstrong, ao se tornar o primeiro ser humano a tocar o solo lunar, em 1969. “Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade.”

Armstrong anunciava as enormes possibilidades que a conquista espacial ofereceria ao desenvolvimento científico e tecnológico. De lá para cá, o prenúncio se tornou realidade. Desde os primórdios da história humana, nunca se viu, em tão pouco tempo, tamanho avanço do conhecimento. Hoje, as inovações quase se atropelam e tornam a ficção algo tangível no nosso cotidiano.

Infelizmente, as condições da vida no planeta não têm a mesma curva virtuosa. Não faltam crises, como a ambiental, e guerras. A desigualdade socioeconômica tem se aprofundado, como apontam mais de 200 economistas de várias partes do mundo no “World Inequality Report 2026”.

Mesmo na quinta posição no ranking da discrepância de renda, o Brasil tem conseguido feitos expressivos para a redução da exclusão. Em 2025, o país saiu do Mapa da Fome da ONU. Na educação, no último ano e meio, graças ao Projeto Aprender Conectado, mais de 21 mil escolas públicas do ensino básico nas localidades mais remotas e vulneráveis do nosso território —como zonas rurais e áreas indígenas, quilombolas e ribeirinhas— passaram a dispor da internet de alta velocidade para uso pedagógico.

Levar a fibra óptica e assegurar sinal digital de qualidade nas regiões isoladas exige esforços operacionais dignos da expedição do marechal Rondon, no começo do século 20, para criar a rede de telégrafo na Amazônia: desbravar florestas, transpor rios e elevações rochosas, instalar postes e sistemas fotovoltaicos onde a energia elétrica ainda não chegou. Nos próximos meses, o Aprender Conectado completará a meta de implementar a tecnologia em 40 mil escolas, justamente as que estão mais distantes. Algo impensável até anos atrás.

O programa integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, política pública coordenada pelos ministérios da Educação e das Comunicações, cuja meta é levar internet de alta velocidade a 138 mil estabelecimentos da rede de ensino básico público. Desse total, 100 mil já foram conectadas, e o avanço em direção ao objetivo continua acelerado, superando desafios imensos.

Agora, incorporadas à cidadania digital, as populações desses locais afastados poderão ter acesso ao mesmo nível de informação e conhecimento de moradores de regiões urbanas. Professores vão ampliar suas capacitações. As fontes de pesquisa para os estudantes serão expandidas exponencialmente. A gestão escolar será mais ágil. O desempenho dos alunos, acelerado e elevado. Até as famílias passarão a dispor de serviços que nunca estiveram ao seu alcance, como cartórios, bancos e atendimento digital de órgãos governamentais.

Os brasileiros vão assistir a uma verdadeira inflexão na história dessas comunidades. Parafraseando Neil Armstrong, as iniciativas do Projeto Aprender Conectado são um “salto gigante” para promover o processo virtuoso de inclusão de novas gerações.

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