Como a ciência tecnológica pode redefinir os limites planetários? Entenda
A terceira edição da São Paulo Climate Week (SPCW), que começou nesta segunda-feira (3) em São Paulo, trouxe para o centro do debate a agenda climática na América Latina.
Entre os temas discutidos nesta terça (4), a aplicação da tecnologia climática e o uso de inteligência artificial (IA) ganharam destaque como ferramentas essenciais para transformar dados brutos em decisões estratégicas.
Especialistas apontam que a ciência tecnológica não apenas monitora, mas estabelece parâmetros práticos para que empresas e governos operem dentro dos limites de resiliência do planeta.
Dados em tempo real e resposta a crises
A transição do discurso teórico para a aplicação prática foi um dos eixos do painel “Tecnologia Climática: Do Dado à Decisão Prática”. Um exemplo de eficácia tecnológica foi o caso que utilizou IA para processar 136 mil mensagens simultâneas durante eventos de crise climática.
A tecnologia permitiu priorizar atendimentos críticos, como o de residências com pessoas dependentes de aparelhos de oxigênio, otimizando a logística em situações de falta de energia.
Além da gestão de crises, a digitalização de processos tem gerado impactos mensuráveis na redução do consumo de recursos.
Apenas no último ano, uma das soluções apresentadas resultou na digitalização de 52 milhões de faturas, eliminando a necessidade de impressão e transporte físico desses documentos.
Esse movimento evita o deslocamento de funcionários e clientes, reduzindo a pegada de carbono associada à logística tradicional.
O dilema ambiental dos data centers
Apesar dos benefícios, o setor de tecnologia enfrenta críticas quanto ao impacto ambiental de seus data centers, que demandam alto consumo de água e energia. No entanto, discussões na SPCW indicam que o impacto positivo gerado pelas ferramentas tecnológicas pode ser até dez vezes superior aos danos colaterais de sua operação.
A análise defende que a tecnologia deve ser vista como uma aliada na descarbonização da indústria e na criação de cidades resilientes.
A proposta central é a conexão entre ciência climática e inovação para transformar alertas em ações concretas. Para os especialistas, a decisão humana permanece soberana, mas agora deve ser embasada em dados em tempo real para garantir que a adaptação climática ocorra de forma justa e ágil.
