Mais de 5 mil protestam em apoio ao movimento “das baratas” na Índia

Mais de 5 mil protestam em apoio ao movimento “das baratas” na Índia


Milhares de apoiadores do movimento “das baratas”, liderado por jovens estudantes na Índia, protestaram em Délhi nesta terça-feira (21), um dia após confrontos violentos com a polícia.

Apesar da promessa do primeiro-ministro Narendra Modi de punir os responsáveis ​​pelos vazamentos de provas que causaram grandes transtornos e resultaram na criação do CJP (Partido Cockroach Janta), conhecido como o movimento “das baratas”, os mais de 5 mil manifestantes se reuniram no Jantar Mantar, em Délhi.

O protesto acontece depois que a marcha em direção ao Parlamento, realizada para exigir a renúncia do Ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, terminou em uma intervenção policial violenta nesta segunda-feira (20).

Os comentários de Modi, relatados por um ministro do gabinete, foram os primeiros que ele fez sobre o assunto desde o vazamento das provas de um exame nacional de admissão para faculdades de medicina, ocorrido em maio.

Os vazamentos afetaram 2 milhões de jovens e, segundo a imprensa local, levaram uma dúzia de estudantes a tirar a própria vida.

A revolta dos jovens e os protestos relacionados aos exames viraram o maior desafio do primeiro-ministro no seu terceiro mandato.

A polícia de Délhi informou que cerca de 180 pessoas, incluindo 118 agentes de segurança e policiais, além de 60 manifestantes, ficaram feridas durante os confrontos no centro da cidade.

O fundador do CJP, movimento que começou como uma sátira online, afirmou que mais de 150 manifestantes estavam recebendo tratamento hospitalar.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o número de feridos, após a polícia agredir manifestantes com cassetetes e disparar bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.

Líder da oposição detido

Algumas dezenas de membros do principal partido de oposição da Índia, o Partido do Congresso Nacional Indiano, incluindo Rahul Gandhi, líder do grupo, e sua irmã Priyanka Vadra, também protestaram brevemente na terça contra a repressão policial em frente à residência de Modi, antes de serem detidos pela polícia, informou a agência de notícias ANI.

Imagens da ANI mostravam Gandhi, vestindo sua habitual camiseta branca e calça cáqui, deitado na rua e resistindo às tentativas de remoção enquanto policiais tentavam levantá-lo.

Em seguida, as imagens o mostravam sendo levado em um ônibus da polícia com outros integrantes de seu partido.

Um manifestante segurava um cartaz com a frase “A democracia sangra quando vozes são espancadas”, e alguns membros do Congresso Nacional Indiano foram detidos pela polícia, segundo imagens de televisão.

Modi disse aos legisladores de sua coalizão governista que o governo agiu imediatamente ao receber relatos de irregularidades nos exames, resultando na prisão de 13 pessoas, afirmou o Ministro de Assuntos Parlamentares, Kiren Rijiju.

Modi também informou que uma nova aplicação do exame foi realizada com sucesso.

“O primeiro-ministro disse… que, para garantir que o futuro dos jovens não seja comprometido… todos devem se unir para assegurar a adoção de medidas rigorosas, a punição dos culpados e a criação de um sistema à prova de falhas”, disse Rijiju.

Manifestantes dizem que não farão nova marcha

O movimento CJP afirmou que continuará seus protestos contra o governo, mas não marchará em direção ao Parlamento, temendo que seus apoiadores sejam novamente agredidos pela polícia.

O movimento, ativo há meses, conquistou o apoio de milhões de jovens indianos da Geração Z, que exigem a renúncia de Pradhan. O grupo afirma que o vazamento das provas em maio foi um sinal de corrupção profundamente enraizada no setor educacional.

O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, pediu desculpas aos apoiadores, especialmente às mulheres, que, segundo ele, foram agredidas por policiais homens.

A Polícia de Délhi declarou que os manifestantes “demonstraram comportamento indisciplinado, agressivo e violento” e “violaram deliberadamente as ordens de proibição em vigor”.

O movimento ganhou força após receber o apoio do ativista Sonam Wangchuk, que iniciou uma greve de fome em 28 de junho, mas foi levado à força para um hospital pela polícia no sábado (18).

Tribunal autoriza transferência de ativista para hospital particular

Na terça, o Tribunal Superior de Délhi autorizou a transferência do ganhador do prêmio humanitário asiático Magsaysay para um hospital particular, atendendo a um pedido de sua esposa, que alegava detenção ilegal.

A decisão judicial atende a uma das três reivindicações dos manifestantes.

O CJP informou que o Ministro da Saúde, J.P. Nadda, pediu um prazo para discutir as demandas internamente no governo, após uma reunião com dois líderes do movimento na segunda-feira.

As reivindicações incluem a libertação de Wangchuk, a renúncia de Pradhan e uma indenização de 10 milhões de rúpias (aproximadamente 530 mil reais) para cada um dos estudantes que cometeram suicídio após o vazamento.

A crescente popularidade do CJP reflete a frustração dos jovens indianos com questões como a escassez de empregos e os vazamentos de provas, problemas que, segundo eles, ocorrem com frequência.



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