Comboio de tempestades. Seguradoras terão já indemnizado em 80% os prejuízos em habitações causados pela Kristin
As seguradas indemnizaram 80% dos prejuízos estimados no segmento da habitação seis meses após a tempestade Kristin, de acordo com Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).
A ASF realizou um estudo para avaliar o ponto de situação do desempenho das seguradoras relativamente ao “comboio de tempestades” provocado pela depressão Kristin que afetou Portugal e em particular a zona centro do país.
“O comboio de tempestades provocou perdas globais estimadas atualmente em cerca de 5,3 mil milhões de euros, dos quais apenas 26% se encontram cobertas pelo setor segurador”, revelou a ASF.
No âmbito segurador, a tempestade “originou 218 mil sinistros e 1,4 mil milhões de euros de perdas seguras”, o que de acordo com a associação constituiu “um dos maiores testes alguma vez enfrentados pelo setor”.
“Mais de 99% dos sinistros já foram objeto de peritagem, cerca de 85% dos processos já se encontram encerrados e as seguradoras já indemnizaram mais de 80% dos prejuízos estimados no segmento da habitação, onde se concentrou a maioria das participações”, segundo o estudo.
A ASF propõe ainda a criação de um “Sistema Nacional de Proteção contra Catástrofes Naturais”, que deverá assentar numa lógica de responsabilidade partilhada, segundo defende a associação, pelos cidadãos, empresas, setor segurador, resseguradores internacionais e Estado.
Aproximadamente 91% das perdas seguras foram suportadas pelo mercado internacional de resseguro, afirmou a ASF.
“O relatório mostra que o setor segurador português respondeu de forma globalmente robusta ao teste mais exigente da sua história recente, mas mostra também que Portugal continua a ter uma grande insuficiência de proteção: apenas 26% dos prejuízos provocados por estas tempestades estavam cobertos por seguros. Esta é uma vulnerabilidade económica e social que o país não pode ignorar”, afirmou o presidente da ASF, Gabriel Bernardino, em comunicado.
