Cerimônia do chá: uma tarde de tradição e aprendizado sobre a cultura milenar da China
00:00
A+
A-
- Seminário de Gestão em Turismo para Países de Língua Portuguesa ocorreu em Hainan, China, com duração de 13 dias.
- Participantes vestiram trajes Hanfu da dinastia Han e estudaram escrita chinesa e os 24 termos solares, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
- O Instituto Profissional de Turismo de Haikou realizou demonstração da tradicional cerimônia do chá chinesa.
- A atividade ressaltou a origem da palavra “chá” nas línguas mundiais, reforçando a conexão cultural entre China e países lusófonos.
Existem duas origens conhecidas para a palavra chá em todas as línguas do mundo. O tea do inglês, thé do francês, té do espanhol, vem da língua falada em Fujian, no sul da China, te. O chá do português, chai do hindi, shay do árabe, vem do termo usado para chá no mandarim e no cantonês. Todos os destinos levam a uma origem comum: a China.
Em Hainan, onde passei 13 dias no Seminário de Gestão em Turismo para os Países de Língua Portuguesa, tivemos a oportunidade de conhecer mais sobre esse ritual tradicional da cultura chinesa, a partir de uma incrível demonstração no Instituto Profissional de Turismo de Haikou.
Em um primeiro momento, os participantes do seminário foram agraciados com a oportunidade de se vestir com roupas tradicionais no estilo Hanfu, que remete à dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.).
Roupas tradicionais Hanfu
Os alunos foram ensinados sobre as tradições da cultura chinesa, como a escrita de caracteres e os 24 termos solares, reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, que hoje servem como poesia para descrever os movimentos do céu.
Escrita de caracteres chineses (hanzi)
O grande espetáculo, porém, veio da cerimônia do chá.
A primeira foi o chá partridge, ou Zhe Gu Cha, uma bebida que não é da mesma família dos chás tradicionais, mas muito popular e comum em Hainan, conhecida por seus benefícios medicinais. Ela foi apresentada junto do wampi, uma fruta muito conhecida na China, com sabor doce e ácido que surpreendeu (e agradou!) o paladar dos lusófonos.
A segunda bebida — esta, sim, acompanhada da cerimônia delicada, apresentada pelos alunos da universidade — foi o tradicional chá oolong. O ritual começa com a organização dos apetrechos, passa pelo aquecimento das porcelanas, atravessa um delicado manuseio do material para enaltecer os aromas e o sabor da infusão, até ser provado pelo paladar dos colegas da cerimônia.
Preparação do chá oolong, acompanhado do yumi gao
O chá ainda foi acompanhado do yumi gao, um pequeno bolinho de milho levemente adocicado, que costuma acompanhar o consumo de chá em Hainan.
Depois, fomos apresentados ao qing bu liang, uma sobremesa muito popular na província. Trata-se de uma sopa doce, fria, servida com uma base de leite de coco, acompanhada de feijão, frutas tropicais, carne de coco e massinhas de arroz — como pérolas de sagu. Também pode ser acompanhada de suco de rapadura.
Foto de encerramento da cerimônia
A cerimônia deu a oportunidade aos participantes de conhecer a cultura local de Hainan, mas também ofereceu um olhar para uma tradição milenar da China, conectando moda, poesia, alimentação e turismo.
Por fim, faço um agradecimento especial à professora Wang Xiaoming, professora associada do Instituto Profissional de Turismo de Haikou, pela oportunidade e pelo esforço de apresentar a bela cultura tradicional chinesa aos presentes no seminário, em uma cerimônia repleta de graciosidade e beleza.
Professora Wang Xiaoming ao lado de alunos do seminário
