Aposentado da segurança ganha 24% mais que o policial da ativa, aponta pesquisa

Aposentado da segurança ganha 24% mais que o policial da ativa, aponta pesquisa


DRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS

Um policial aposentado no Brasil recebe em média 24% a mais do que o colega que ainda está na rua.

A conclusão consta da 2ª edição do “Raio-X das forças de segurança pública do Brasil”, pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta terça-feira (4) que analisou dados do setor no ano passado.

Segundo a publicação, a remuneração mensal bruta dos servidores estaduais aposentados das forças de segurança é de R$ 13,5 mil; aqueles que continuam em exercício, por sua vez, ganham em média R$ 10,8 mil.

Nas demais carreiras do Poder Executivo, a remuneração dos ativos e dos aposentados são praticamente paritárias. A diferença, diz o Fórum, é puxada pelos regimes especiais de previdência dos policiais militares, que compõem hoje 74% da folha dos inativos da área.

O modelo tem critérios distintos dos servidores civis e, em muitos casos, militares hoje aposentados foram promovidos assim que passaram à reserva.

A distorção impacta o orçamento. Segundo o Fórum, aposentados do setor representam 22% de todos os inativos dos Executivos estaduais, mas consomem 34% da remuneração global desse grupo —uma diferença de 12 pontos percentuais.

O desequilíbrio não é equânime nas regiões do país. As maiores distorções aparecem no Sudeste, onde os inativos da segurança são 26% do total de aposentados estaduais e consomem 41% da remuneração, e no Norte, com 22% e 37% respectivamente.

Considerados os encargos no geral, as unidades federativas gastam cerca de R$ 230 bilhões por ano com a folha da segurança pública: R$ 135 bilhões com profissionais da ativa e R$ 96 bilhões com aposentados, o equivalente a 1,8% do PIB de 2025.

O número de servidores que passam à reserva continua crescendo enquanto isso.

O país tem hoje 424,4 mil policiais aposentados, número 6,4% maior se comparado a 2023, último levantamento sobre o tema. A proporção é o dado mais preocupante, diz o Fórum. São 62 aposentados para cada cem policiais na ativa. Nas PMs a relação é ainda maior: 76 aposentados a cada cem em atividade.

São Paulo concentra o maior estoque, com mais de 95 mil inativos (22% do total nacional), seguido por Minas Gerais (11%), Rio de Janeiro (9%) e Rio Grande do Sul (7%).

O custo, contudo, não é de todo incompreensível. Segundo o Fórum, a categoria já recebe salários mais elevados ante a natureza da função e tem diferenciais justamente por isso. São atribuições que envolvem riscos, por exemplo, além do regime de dedicação exclusiva e responsabilidades específicas.

O problema, argumenta, é de ordem fiscal. Segundo o Fórum, estados têm hoje “um passivo previdenciário de difícil reversão” e que compromete a própria oxigenação das polícias ao restringir a capacidade de se promover concursos públicos e a própria modernização das tropas.

O custo da folha é um dos motivos segundo o Fórum pelos quais as polícias estaduais praticamente não cresceram nos últimos anos, de 2023 para cá, enquanto guardas municipais avançaram em ritmo muito mais acelerado.

Entre 2023 e 2025, o efetivo das PMs subiu 2,1% e o das Polícias Civis, 1%. As polícias Penais estaduais encolheram 3%; a Polícia Federal, 2,8% e a Rodoviária Federal, 4,3%. As guardas municipais, no mesmo período, cresceram 12,9% e chegaram a 107 mil agentes, ultrapassando o efetivo das polícias Civis.



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