Acordo de Meca. Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinam pacto de defesa mútua

Acordo de Meca. Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinam pacto de defesa mútua


Sauditas, paquistaneses e turcos assinaram esta sexta-feira, em Meca, um acordo de cooperação militar que integra uma “cláusula de defesa coletiva”, espelhando parcialmente o artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, documento fundador da NATO. Com o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão em pano de fundo, os três signatários comprometem-se com o princípio da proteção mútua.

Um ataque armado a qualquer um dos três países signatários do denominado Acordo de Defesa Conjunta de Meca será visto como uma ação contra todos. É o que consta do comunicado tripartido emitido após a assinatura do acordo.

O texto não detalha o alcance dos compromissos assumidos por cada um dos países representados em Meca, colocando a tónica no robustecimento da segurança coletiva e na promoção da paz, da segurança e da estabilidade no Médio Oriente e para lá desta região.

”O pacto inclui uma cláusula de defesa coletiva. É de natureza puramente defensiva, comprometendo-se ao apoio mútuo apenas para fins de defesa”, explica um responsável turco citado pela agência Reuters.O Acordo de Meca mantém via aberta à adesão de outros países da região e não anula acordos bilaterais ou multilaterais precedentes.

“O simbolismo político da cimeira é significativo. Três dos Estados mais influentes do mundo muçulmano estão a reunir-se num momento de grande incerteza, demonstrando uma disposição crescente entre potências regionais e médias para uma coordenação mais estreita em questões de segurança”, avalia Abdulaziz Sager, presidente do think tank Gulf Research Center, como sede na Arábia Saudita, igualmente ouvido pela Reuters.

“Se institucionalizada e traduzida em cooperação concreta, a estrutura trilateral poderia fortalecer o peso diplomático e de defesa coletivo dos três países, ao mesmo tempo que contribuiria para o aparecimento de uma arquitetura de segurança mais orientada pela dinâmica regional”, completa.

“Eixo militar”?

As estruturas militares do regime iraniano e os seus aliados regionais – nomeadamente os Houthis do Iémen e milícias xiitas no Iraque – têm vindo a visar alvos sauditas e de outras nações do Golfo, na resposta à ofensiva que Estados Unidos e Israel desencadearam a 28 de fevereiro deste ano. Mas as preocupações dos signatários do pacto agora selado estender-se-ão à postura expansionista do Estado hebraico.As forças de Teerão o pró-iranianas atacaram bases dos Estados Unidos e infraestruturas civis na Arábia Saudita, no Kuwait, Bahrein, Catar, nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Jordânia e Israel.

Oficialmente, a Presidência turca trata de sublinhar que o acordo tripartido “não visa nenhum país em particular”.

“Reforçará a segurança comum e a dissuasão coletiva dos três países”, enfatiza em comunicado publicado na rede social X o diretor de comunicação do gabinete de Erdogan, Burhanettin Duran, para acrescentar que estão em causa “contributos importantes para a preservação da paz e da estabilidade na região”.

Por sua vez, também no X, o vice-ministro saudita com a pasta da Diplomacia Pública, Rayed Krimly, tenta pôr de parte a ideia de que o pacto signifique o advento de “um eixo militar”, ou “um bloco sectário”.

“Não está ligado a ambições nucleares ou uma corrida ao armamento, mas pretende acima de tudo desenvolver capacidades duradouras”, escreve, descartando ainda “uma escalada das tensões”.

O Acordo de Meca procura, na prática, combinar as capacidades militares de três pesos-pesados da arquitetura internacional: a Arábia Saudita, Estado mais poderoso do Golfo, figura entre os maiores exportadores de petróleo do mundo; o Paquistão é o único país de maioria muçulmana dotado de armas nucleares; a Turquia constitui a segunda maior força militar da NATO.

Antes da assinatura, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Estado-Maior do Exército, Assim Munir, cumpriram a peregrinação da Umrah, em Meca. A comitiva turca foi liderada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan. Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro saudita, representou Riade.

c/ AFP e Reuters





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