Acompanhe a cotação do dólar nesta segunda-feira (20)
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar abriu próximo da estabilidade nesta segunda-feira (20), com investidores acompanhando uma possível resposta do Brasil ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a escalada do conflito no Oriente Médio.
Às 9h12, a moeda norte-americana caía 0,07%, cotada a R$ 5,1074. Na última sexta-feira (17), o dólar fechou em alta, cotado a R$ 5,110, enquanto a Bolsa fechou em queda de 0,06%, aos 173.714 pontos, após oscilar ao longo do dia.
Ainda em meio aos desdobramentos do tarifaço, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu, na última sexta-feira (17), ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos EUA.
Além disso, durante agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que só comentará o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil depois que o presidente Donald Trump se manifestar sobre o tema.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira.”, disse.
Os investidores também seguem atentos ao desempenho dos mercados internacionais, em meio à piora do sentimento de risco.
Em Wall Street, as bolsas fecharam em queda na sexta-feira, refletindo o balanço negativo da Netflix.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o resultado aumentou a aversão ao risco e pode contaminar os mercados emergentes, incluindo o brasileiro.
O S&P 500 caiu 1,05%, o Nasdaq recuou 1,40% e o Dow Jones teve queda de 0,77%.
As ações de empresas de chips e semicondutores também pressionaram o mercado americano e caminham para registrar a pior semana desde a derrocada provocada pelo “Dia da Libertação”, no ano passado. Investidores vêm reduzindo posições em algumas das companhias que mais se beneficiaram do boom da inteligência artificial nos últimos meses.
O agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio também segue no radar do mercado. Na manhã de sexta, os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeios contra o Irã, atingindo pontes e um aeroporto. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases americanas em todo o Oriente Médio. Uma usina de energia e dessalinização no Kuwait também foi atingida pelo Irã.
No estreito de Hormuz, onde a retomada do conflito voltou a interromper parte do fornecimento global de energia, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque, enquanto outra embarcação teria sido atingida por um projétil.
No Brasil, o cenário doméstico encerrou a semana influenciado por novos dados sobre a atividade econômica. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), avançou 0,1% em maio na comparação com abril.
O resultado veio acima das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam estabilidade para o indicador no período.
Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital, afirma que o resultado do IBC-Br reforça a percepção de que a economia brasileira segue aquecida, reduzindo as chances de uma nova flexibilização da política monetária.
