O “QI elevado” de Trump e a regulação da Inteligência Artificial

O “QI elevado” de Trump e a regulação da Inteligência Artificial



Esta segunda-feira, as empresas tecnológicas dos EUA registaram quedas até dez por cento, na abertura das principais bolsas de valores norte-americanas.

A abertura em baixa é uma reação dos investidores aos apelos dos líderes do sector tecnológico. Em causa está a ideia de abrandar o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial.
Tendo em conta os valores astronómicos que estão a ser investidos no potencial da IA, os investidores querem saber como é que o ritmo vai ser abrandado e qual vai ser a reação dos governos.
Para já, a fazer fé nas palavras de Trump, a Casa Branca entende que está tudo bem e não é necessário qualquer controlo ao desenvolvimento da IA. “Já temos um enorme poder PENAL e REGULATÓRIO sobre estas empresas!”, escreve hoje o presidente norte-americano.
“Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os centros de dados, e a única que está feliz com isso é a China.
QUEM VENCER NA IA, VENCE!


Estamos à frente da China e de todos os outros, e assim continuaremos. 


Teóricos da conspiração, traidores da pátria e informadores de informação: CUIDADO!


É precisamente “cuidado” que pedem os senhores responsáveis pelo atual desenvolvimento da Inteligência Artificial.

No último fim-de-semana, Sam Altman, CEO da OpenAI defendeu a diminuição do ritmo a que tem progredido a IA. “Reduzir o ritmo não significa parar, mas o progresso deve ser mais lento”, explicou o responsável da OpenAI, criadora do Chatgpt.


Para Altman há dois cenários a evitar: a possibilidade de a humanidade “perder o controlo do futuro para a IA” e a criação de um mundo com “concentração excessiva de poder“.


A demissão de um jovem investigador da Anthropic no dia 9 de setembro desencadeou um debate sobre quando é que a IA poderá extinguir a civilização e como evitar isso.

Quase uma semana depois, o setor pede que a indústria procure uma forma de auto-regulação.
De acordo com a publicação digital The Information, especializada no setor tecnológico em Silicon Valley, a ideia não é nova. Desde julho que a OpenAI, a Anthropic e a Google discutem como criar um organismo que estabeleça normas para a indústria da Inteligência Artificial.
No entanto, apesar de pedirem mais auto-regulação, as empresas líderes dos EUA querem a ajuda da Administração Trump para que estes limites sejam globais. “Onde vamos precisar da ajuda do nosso governo é na coordenação internacional”, defende o líder da OpenAi.


Outra opinião que tem marcado a discussão nas últimas horas é a de Satya Nadella, CEO da Microsoft. “Vemos com bons olhos a investigação, a concentração de esforços e o ritmo ponderado”, escreveu nas redes sociais.


“O ponto fundamental é que isto não pode ser controlado por um punhado de atores; deve contar com uma representação ampla de todo o ecossistema, abrangendo diferentes países e áreas, incluindo o meio académico”, acrescenta o líder da Microsoft.

Ensurdecedor é o silêncio da Meta que é a única das grandes empresas que não mencionou a necessidade de regular o progresso da Inteligência Artificial.
Alguns nomes importantes no desenvolvimento da IA


Os principais rivais são duas empresas especializadas no desenvolvimento de modelos de Inteligência Artificial: a OpenAI e a Anthropic.


A OpenAI foi fundada em 2015. É a empresa por detrás do ChatGPT e é liderada por Sam Altman.


A Anthropic foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que abandonaram a empresa após divergências sobre a visão e a segurança. É a empresa responsável pelo assistente de IA Claude.


Elon Musk é outro nome de peso no setor. Desenvolveu o chatbot Grok através da empresa, a SpaceXAI.

Outras grandes empresas tecnológicas estão também a desenvolver as próprias soluções de inteligência artificial. A Google conta com o laboratório DeepMind, e a Meta criou um assistente virtual, o Meta AI.



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