Dark Horse: decisão de Dino cita esquema de desvios e possível elo com PCC
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, neste domingo (13/9), a quebra do sigilo do inquérito que tramita na Corte no âmbito do filme Dark Horse. A ação investiga suposto esquema de desvio de verbas públicas com a participação do deputado federal Mario Frias (PL-SP).
Em trecho da decisão, Dino destaca que o desvio de recursos públicos teria relação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), apontando Frias como liderança do esquema.
“Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos. Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mario Frias, que – no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, disse o ministro.
Dino já havia citado o elo com o PCC em decisão da última quinta-feira (10/9), que autorizou operação da Polícia Federal (PF) contra Frias e aliados.
A suspeita surgiu por movimentações do Instituto Conhecer Brasil (ICB), da empresária Karina da Gama, que teria firmado subcontrato com empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos – apontado como integrante da facção, para prestação de serviços no projeto “Wifi Livre SP”, cujo valor total seria de R$ 12 milhões, em contrato com a Prefeitura de São Paulo.
A empresa da qual Alex Leandro era sócio é a Urban Connect Serviços e Tecnologia (antiga Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda.). Segundo a decisão, ele era o único sócio da empresa desde sua fundação, em agosto de 2020, e passou a propriedade da companhia para sua companheira, Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, em 14 de janeiro deste ano.
A empresa de Alex teria solicitado em 27 de fevereiro do ano passado aumento do limite para transações TED, de R$ 600 mil diários, justificando que receberia recursos vindos do contrato para prestar serviços com o Instituto Conhecer Brasil no projeto.
A decisão cita que, segundo notícias “amplamente divulgadas”, órgãos de inteligência da polícia apontam Alex como “membro relevante da facção criminosa PCC”. Ele estava preso desde fevereiro deste ano por acusação de feminicídio e foi solto em agosto.
